Ciberataques: Portugal sofreu aumento de 81%

Tendências no cibercrime vão manter-se este ano e interferem na vida dos cidadãos, segundo o relatório da Check Point.



Os ciberataques contra organizações portuguesas aumentaram 81% em 2021, sendo o sector da educação/investigação o mais visado pelo cibercrime no nosso país e no mundo. Ao mesmo tempo, os fornecedores de software sofreram o maior crescimento de ciberataques, revela o relatório anual da Check Point Research.

O “Security Report” refere que, de forma geral, as organizações sofreram 50% mais ciberataques por semana do que em 2020. Em Portugal assistiu-se a um crescimento muito significativo: 81%.

Portugal também acompanhou o crescimento dos ataques na área mais afectada pelo crime informático: ocupou a primeira posição no sector da educação/investigação, com uma média de 2480 ataques por semana (aumento de 57%).

A administração pública/sector militar registou uma média de 1136 ataques por semana a nível global (aumento de 47%). Em Portugal ocupou o terceiro lugar, com uma média semanal de 1116 ataques (aumento de 106%), revela o relatório.

Já o sector das comunicações sofreu uma média de 1079 ataques semanais em todo o mundo (aumento de 51%). No nosso país ocupou a oitava posição, com uma média de 670 ataques por semana e um decréscimo de 29% em relação a 2020.

Durante o ano passado houve uma tendência de ciberataques que a Check Point Research considera que se mantém em 2022 e que interferem na vida diária de muitos cidadãos – “em alguns casos, afectou até a sua segurança física”. E dá o exemplo do que aconteceu em Portugal no Grupo Impresa – dono da SIC e do Expresso –, que levou à indisponibilidade de vários websites, obrigando os jornalistas a utilizarem meios alternativos para fazerem o seu trabalho (como redes sociais e websites temporários).

O “Security Report” de 2022 destaca ainda como tendências os ataques às cadeias de abastecimento, referindo que o acontecido à SolarWinds “lançou as bases para um frenesim de ataques a cadeias de abastecimento”. “2021 foi palco de inúmeros ataques sofisticados, como o Codecov em Abril e o Kaseya em Julho, terminando com a vulnerabilidade do Log4j, exposta em Dezembro. O impacto impressionante conseguido por esta vulnerabilidade presente numa biblioteca de código aberto demonstra o imenso risco inerente às cadeias de fornecimento de software”, pode ler-se no relatório.

Ao longo do ano, os agentes maliciosos utilizaram cada vez mais o smishing (phishing para SMS) para a distribuição de malware, tendo investido esforços substanciais na pirataria de contas de redes sociais para obterem acesso a dispositivos móveis. A contínua digitalização do sector bancário em 2021 levou à introdução de várias aplicações concebidas para limitar as interacções face-a-face, o que, por sua vez, levou à distribuição de novas ameaças, adianta a Check Point Research.

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