Senado

PSD

Hugo Soares


A agenda política será marcada por se saber que PSD sairá das próximas eleições internas que vai disputar. Para quem, como eu, entende que o progresso e desenvolvimento sustentável do país terá sempre no Partido Social Democrata a sua força motriz, a discussão interna no PSD torna-se, por isso, essencial para saber que Portugal queremos na próxima década. O Portugal imobilizado, amarrado, amorfo e estatizante dos últimos seis anos? Ou um Portugal arrojado, ambicioso, livre e forte, onde a iniciativa privada é valorizada e o cidadão se realiza? É na resposta a estas perguntas que se joga também o futuro do PSD.

O PSD deve-se apresentar ao país com um projecto alternativo, que reivindique uma maioria absoluta e sem concessões ao politicamente correcto e ao socialismo. Mas não basta repetir chavões para que o eleitorado o percepcione como realidade.

Mas, então, que projecto político deve ter o PSD?

Meritocracia: O PSD tem de ser capaz de defender uma sociedade assente no mérito e na valorização pessoal. Colocar o elevador social a funcionar - como alavanca da realização pessoal - é fundamental para que uma sociedade justa e sem privilégios injustificados possa permitir que cada um procure cumprir o seu projecto de vida. Sem um combate corajoso à paralisia da administração pública, valorizando como nunca os melhores e pagando a retribuição justa, Portugal não vai conseguir ter uma administração ágil e eficaz. Para tanto é necessário, sem ceder a pressão e lóbis instalados, reformar a administração pública em três vectores: vínculo laboral, salários e revolução digital como garantia de transparência, competitividade e oportunidade.

Reformismo: O PSD deve colocar na agenda uma revisão constitucional que sirva de molde a vincar o seu carácter reformista, que deve estender-se a diversas áreas de governação. Este debate em torno do tema da revisão constitucional - sem tabus e radicalismos - deve prosseguir um entendimento-base para o núcleo essencial de questões fundamentais que expressem “o consenso” do povo quanto ao projecto básico e estratégico da colectividade, assente na solidariedade intergeracional.

A capacidade reformista do PSD deve distinguir como prioridade a educação no respeito por seis princípios fundamentais: equidade, rigor, qualidade, estabilidade, responsabilidade e liberdade de escolha.

Autoridade: O PSD não pode deixar de defender a afirmação de um Estado forte, respeitado e que se faça respeitar. Os episódios sucessivos de desrespeito pelas instituições e de falhanço total do Estado em matéria de segurança e protecção dos cidadãos são um abalo fortíssimo no sistema democrático. Sem receios do combate com a extrema-esquerda, que vê na autoridade tiques de autoritarismo, o PSD tem de ser capaz de restaurar a autoridade do Estado na justiça, na protecção civil e nas forças de segurança.

Neste particular, o combate aos privilégios injustificados, designadamente a luta incessante contra a corrupção e o clientelismo, têm de ser prioridades constantes na agenda do PSD.

Solidariedade: O PSD tem de continuar a ser o referencial da justiça social, sem claudicar no apoio aos mais desfavorecidos, mas não permitindo nunca que o apoio social se situe na subsídio-dependência. O PSD tem de ser garante de um sistema nacional de saúde (repito, sistema) universal e cada vez mais capaz, que jamais exclua alguém dos cuidados de saúde em razão da sua condição financeira.

Se o PSD conseguir afirmar tudo isto (e o resto que aqui não é possível deixar), então está a cumprir Portugal.