Senado

Eu, o PSD e o futuro de Portugal

Rui Gomes da Silva


Apoio. Nas próximas eleições, no PSD, voto Paulo Rangel. Não contra ninguém, mas por opção, face às realidades em confronto, dando um sentido útil a esta minha militância desde há quase 45 anos.

E com o meu voto, apesar de reconhecer mérito no resultado das eleições autárquicas, tentarei ajudar a pôr fim a esta incompreensível falta de combate político nos últimos anos.

Mesmo sabendo que “a verdade depende da perspectiva”, quero um PSD ousado e diferente, que não caia na banalidade que nos condenará como partido!

Política

Face às dificuldades que se avizinham, precisamos de alguém com uma visão global, que esteja preparado para enfrentar um mundo mais envelhecido, com menos emprego (ou com uma enorme flexibilidade laboral) e, ainda assim, mais qualificado.

Um mundo com mais trabalho precário, com mais automatização, correndo o risco de voltarmos às situações dilemáticas do último quartel do século passado, no qual a inflação e o desemprego, a saúde pública e a economia social voltarão a estar na ordem do dia.

Por tudo isso, o PSD precisa de um político como líder.

Num Portugal ainda a recuperar de um mercado de trabalho rígido, de uma economia muito regulada, sob um proteccionismo exagerado e sem inovação de relevo, com incentivos errados e baixa produtividade, com o risco de estagnação do rendimento da classe média, não quero ter alguém a lutar pelos destinos do meu país que reconduza a política a um mero exercício de contabilidade.

Futuro

Quero alguém que, politicamente, perceba a importância de apostar nas energias renováveis, nas infra-estruturas, no sector da Saúde, num Estado mais regulamentador e menos intervencionista.

Um líder que perceba ser esse o caminho e que - conciliando a informação global com a decisão nacional - o deixe perceber a quem tem a obrigação de o seguir.

Para que consigamos acabar com a ideia de que podemos mudar de políticos, mas não conseguimos mudar de políticas, para que deixemos de ser geridos pelos burocratas globais, pelos agentes e pelos altos funcionários das agências internacionais, como se eles fossem os únicos capazes de salvar o mundo, embora sem qualquer legitimidade para o efeito. Aceitando - obviamente - a globalização, mas sem perder a nossa identidade.

Ideologia

Acredito que, com Paulo Rangel (sem nunca ter falado com ele a não ser no Governo de que fui ministro e ele secretário de Estado), será mais fácil caminhar no sentido que desejo, concretizando o projecto de um novo contrato social por uma maior produtividade, acabando de vez com a ideia de que o progresso só pode ser conciliado com um qualquer espírito revolucionário de esquerda.

Acredito que, com Paulo Rangel, o PSD voltará a não confundir governar com gerir!

Como acredito que, com Paulo Rangel como primeiro-ministro, um qualquer ministro se demitiria (ou seria demitido) se lhe omitisse (e, com isso, ao Presidente da República) um qualquer facto grave de uma qualquer investigação ou não assumisse a responsabilidade objectiva de um qualquer acidente em que estivesse envolvido.

Quero um líder do PSD forte, sem ser arrogante, que faça regressar o carisma que sempre fez o PSD obter vitórias eleitorais no passado, um líder que seja capaz de transformar informação em decisão, sem medo de fazer o PSD voltar a ser o partido da direita, sem ser um partido de direita.

Em nome da coerência, da credibilidade e da liberdade!

Projecto

É esse o PSD que quero de regresso. Com um projecto claro de revisão constitucional e de consolidação de um sistema partidário com base na ideologia.

Um PSD ortodoxo nos valores da vida, mas flexível na economia, aberto aos novos direitos (estando tão à vontade, como estou, nos antípodas da orientação sexual de quem apoio, assumindo que “não se trata de escolha, mas, antes, de identidade”), mas que recuse uma total privatização das decisões políticas.

Um PSD que não se encerre no seu círculo de poder, que seja capaz de “falar para fora”, com um novo programa e uns estatutos modernos, antecipando-se aos movimentos sociais e às novas tendências de participação política, muito especialmente dos jovens.

Um PSD que saiba transmitir-nos o que quer que Portugal seja daqui a 20 anos!

Francisco Sá Carneiro

Não sei se o meu apoio a Paulo Rangel será o que vai obter ganho de causa maioritário no PSD (e nem sequer com o próprio falei para defender o que venho defendendo). Mas nunca me preocupei com isso, até porque, como não me canso de repetir, há aquela velha frase de Francisco Sá Carneiro - “Nunca estive tão sozinho, mas nunca tive tanta certeza de que tenho tanta razão” - que nos faz acreditar na razão, mesmo quando não temos a maioria pelo nosso lado. Não creio que seja, desta vez, o caso.

Por mim, sei o que quero. Cá dentro, para depois ganhar Portugal. Por isso, votarei Paulo Rangel.