Senado

As razões de sempre

Filipe Anacoreta Correia


Consta que 10% dos eleitores definem o seu sentido de voto apenas no dia das eleições, depois de saírem de casa, a caminho da mesa de voto.

A três dias das eleições, muitos estarão já convencidos e poucos terão ainda dúvidas. Os apelos dos últimos dias ajudam à definição dos chamados indecisos. E, como em tudo na vida, há muitos a decidir por pressão, quase empurrados; doutra forma, não o fariam.

É por isso que o apelo e a dramatização dos últimos dias de campanha acabam por ser tão determinantes. E é também por isso que os últimos dias favorecem em muito a bipolarização. Quem ganha? Quem perde? De repente, como se o universo eleitoral estivesse reduzido a duas forças. E tudo o resto não existe.

O país tem sido, em grande parte, vítima deste processo, que assegura uma alternância sem garantir uma alternativa. Governos sucessivos são eleitos e o seu principal mérito é estarem lá quando os antecessores perderam. É assim com Rui Rio. Um sobrevivente. Que se prepara para governar o país fundamentalmente porque o país está cansado de António Costa, do Partido Socialista e da geringonça.

E os eleitores nem querem saber que Rui Rio, sozinho, não fará muito diferente em matérias tão importantes para o país.

Todos os dados nos demonstram que a governação será definida não em torno de dois partidos - PSD ou PS -, mas sim em torno de dois blocos: à direita ou à esquerda. E, nesse campo, é preciso olhar para a oferta diferenciada dentro de cada bloco.

O PSD garante a vitória diante do PS precisamente por ser indistinto. Mas essa vitória só garante uma alternativa e uma diferença de políticas em ligação com partidos e correntes que tenham essa vocação natural.

A campanha eleitoral em curso tem mostrado bem como a proposta política do CDS é valiosa e diferenciadora. Ao contrário do que alguns, apressadamente, pretendem concluir, as razões para o voto no CDS são, hoje em dia, mais actuais do que nunca.

O CDS tem adoptado na campanha eleitoral uma retórica política assente no lema “pelas mesmas razões de sempre”. Num tempo como o nosso, caracterizado pela mudança vertiginosa, são muitas as pessoas que encontram neste CDS de sempre a alegria e segurança de confiar num partido de direita com provas dadas no projecto democrático que nos une há quase cinco décadas.

Não é por mero acaso que Francisco Rodrigues dos Santos, talvez de forma inesperada, conseguiu entusiasmar e conquistar a atenção dos portugueses nos debates televisivos. Nós vimos um líder político, o mais jovem dos líderes partidários, afirmar que as razões de sempre do CDS são, hoje em dia, mais actuais e necessárias, mais novas e indispensáveis do que alguma vez foram.

O presidente do CDS teve o enorme mérito de tentar e conseguir conciliar a liberdade e a responsabilidade, a cidade e o campo, o crescimento económico e o cuidado devido ao mais necessitados, o passado que valorizamos e o futuro que queremos legar às novas gerações.

A emergência de outros espaços à direita, não obstante contribuírem para a dispersão de alguns dos eleitores que tradicionalmente votavam no CDS, oferece o lado positivo de tornar mais expressivo o voto no CDS, sublinhando o seu posicionamento e alcance.

Vota no CDS quem quer distanciar-se, a um tempo, de uma visão socialista do Estado que condena as pessoas a uma situação de dependência permanente e de uma visão liberal do indivíduo que o desenraíza da família e de um sentido de pertença comunitário que nos leva a assumir a solidariedade preferencial com os mais fracos.

O país continua a precisar do CDS. E o CDS precisa que tantos continuem a não ceder a pressões de última hora. Permaneçam exactamente no sítio onde estão.

As razões são as mesmas de sempre.