Uma “fraude” e uma “ilusão”. Oposição critica pacote de medidas de apoio às famílias

O Partido Socialista foi o único a elogiar as medidas anunciadas por António Costa. Direita e esquerda criticaram apoios anunciados para os pensionistas. PSD acusou o Governo de “agir tarde”.



O Partido Socialista foi o único partido a elogiar o pacote de medidas apresentado pelo Governo para apoiar as famílias. O plano foi classificado, tanto pela direita como pela esquerda, como uma “fraude”, uma “ilusão” e um “truque”, principalmente em relação às medidas destinadas aos pensionistas.

O PSD foi o primeiro partido a reagir ao pacote de medidas para compensar os efeitos da inflação. “A principal novidade é que os pensionistas vão receber zero perante o que receberiam ao abrigo da actualização de pensões. É uma ilusão”, disse Leitão Amaro, vice-presidente do PSD.

Uma crítica feita por todos os partidos da oposição. Os pensionistas vão receber um suplemento extra equivalente a meio mês de pensão no mês de outubro, mas no próximo ano não serão aumentados em linha com a inflação. “O primeiro-ministro faz esta ilusão de começar a pagar agora para no próximo ano pagar menos do que deveria”, acrescentou Leitão Amaro. O PSD acusou ainda o Governo de “agir tarde” e depois de “outros países” europeus.

O Chega foi mais longe e classificou as medidas do governo socialista como “uma fraude” e “um plano vazio e tardio”. André Ventura acusou o Governo de estar a cometer “uma verdadeira fraude” em relação aos pensionistas, porque se limitou “a antecipar um aumento que já estava previsto” para o próximo ano. “São migalhas face à fortuna que o Governo tem arrecadado”, acrescentou.

O Bloco de Esquerda também criticou o “truque” utilizado em relação ao aumento das pensões. “O que António Costa está a dizer é que vai rever essa lei e vai fazer uma revisão em baixa das pensões. Vai reduzir o aumento a que os pensionistas têm direito e em troca vai antecipar dando meia pensão em 2022”, disse Mariana Mortágua. A deputada bloquista considerou que o pacote de medidas “é curto porque não chega para compensar perda de poder de compra”.

O PCP considerou mesmo que as medidas anunciadas para os pensionistas são “uma autêntica fraude”. O deputado comunista Bruno Dias defendeu ainda que “era urgente valorizar o poder de compra, impedir a especulação e taxar os lucros extraordinários”, mas “nada disto foi o que o Governo anunciou”.

Já a Iniciativa Liberal considera que “a montanha pariu um rato”. Rodrigo Saraiva lamentou que “quando os portugueses mais precisam o PS falhe”. O líder parlamentar da IL garantiu que o partido vai voltar a apresentar “uma proposta para que o IVA de eletricidade e gás baixasse para 6%”.

Rui Tavares, do Livre, apontou “grandes lacunas” ao plano do Governo, porque não prevê medidas para incentivar a utilização dos transportes públicos ou sobre a eficiência energética. “Não há nada de corajoso”, acrescentou o historiador. O PAN também lamentou a ausência de medidas para os transportes públicos e considerou que estas medidas “não resolvem as reais necessidades” dos portugueses. “A classe média não pode continuar a ser estrangulada com a inflação”, disse Inês Sousa Real.

O Partido Socialista foi o último partido a reagir e o único a elogiar as medidas apresentadas esta noite por António Costa. O PS “reforça assim o seu compromisso para com os portugueses em particular os mais vulneráveis e a classe média”, disse João Torres.

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