Sérgio Humberto: “Entrámos em recessão social com um governo desgastado”

Candidato único à distrital do Porto do PSD em eleições que se disputam neste sábado, quer começar já a preparar as autárquicas e ganhar “mais câmaras” em 2025. “O objectivo é inverter este ciclo de perda”, diz o autarca da Trofa, para quem o PSD não pode repetir erros cometidos durante a liderança de Rui Rio e deve estar “perto das pessoas” para reconquistar o eleitorado.



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Quais são os objectivos que tem para a distrital do PSD do Porto?

O primeiro objectivo são as eleições autárquicas de 2025. Esse é o grande objectivo: ganhar mais câmaras municipais, termos mais juntas de freguesia e mais membros nas assembleias municipais. Hoje, o PSD lidera apenas cinco câmaras municipais em 18, por isso, esse é o grande desafio. O segundo objectivo passa por recuperar militantes, uma vez que, nos últimos quatro anos, perdemos cinco mil no distrito do Porto. E queremos, no mínimo, recuperá-los em dois anos, embora o objectivo seja ultrapassar essa fasquia, como é óbvio. Outro objectivo é contribuir para que todas as 18 secções se sintam reconhecidas, pois havia uma dicotomia entre os municípios da Área Metropolitana do Porto e os municípios do interior. Temos também de voltar a falar no problema relacionado com a TAP e sobre um segundo aeroporto Francisco Sá Carneiro. Não percebemos por que razão só se fala numa alternativa em Lisboa quando o tecido produtivo, e aquele que mais exporta, está localizado entre Aveiro e Braga.

O Porto é a maior distrital do PSD. Pretende ter maior influência nos órgãos nacionais do partido?

Apenas porque queremos alargar a nossa base à sociedade. Queremos envolver e escutar aquilo que é a sociedade civil, voltar a ter reuniões com a Federação Académica do Porto, os sindicatos, as ordens profissionais, os agricultores e os pescadores. Nós queremos envolver todos - é essa a nossa matriz. Queremos começar a fazer política fora das quatro paredes. É nesse prisma que pretendemos ter influência, e não pelo número de militantes. É pela capacidade política e na defesa da região, do distrito e do país que queremos afirmar-nos.

Tem falado na recuperação de protagonismo para a região. Como é possível fazê-lo?

Vamos estar em contacto com a população. Neste momento, já entrámos numa recessão social com um governo desgastado, um desgaste provocado pelos erros graves que tem cometido. E estamos a falar de um governo liderado por uma pessoa com pensamento de extrema-esquerda. E aqui lembro, por exemplo, a anterior ministra da Saúde, Marta Temido, que, por questões ideológicas, colocou o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no seu maior buraco de sempre. Está cada vez pior e foi onde se injectou mais dinheiro. Posteriormente, acabou substituída por Manuel Pizarro, uma pessoa que foi militante do Partido Comunista. Também o ministro da Economia, António Costa Silva, é um ex-militante do MPLA. Portanto, há muita gente dentro do PS que não é socialista democrático. Está-se, no fundo, a governar à esquerda da esquerda. Isto não é futuro nem para o distrito, nem para a região, nem para o país.

Faz uma avaliação negativa da actuação do governo?

Não negativa, mas sim muito negativa. O Governo herdou um país que estava a crescer. É bom reconhecer que foi o PS que trouxe a troika. Na altura, o PPD/PSD, juntamente com o CDS, colocou o país nos trilhos. E a verdade é que a este governo falta coragem. Não faz reformas, não antevê problemas e empurra tudo com a barriga para a frente. E depois acontece o que está a acontecer agora. Quando houve oportunidade de fazer crescer o país, não deu esse passo. Olhemos para os casos da Irlanda, dos Países Baixos e do Luxemburgo, que são países ricos e desenvolvidos, o que contrasta com a nossa realidade. Portugal estagnou nos últimos sete anos porque não há reformas a pensar no futuro. Este governo, liderado pelo PS, quer um país que seja só Estado e salários mínimos, com um pouco de turismo. Não tem uma única medida para o país. É o dia-a-dia, a gestão no umbigo de António Costa. Primeiro, ele, depois, o partido, e em último vêm o país e os portugueses.

Mantém críticas ao processo de transferência de competências para as autarquias?

Claro que sim. E se houve medidas que foram conquistadas, muito se deveu às vozes que se levantaram.

Em que resultou a última reunião de autarcas?

Em quase nada. Serviu, no fundo, para preencher uma data e marcar presença. Porque de lá não saiu rigorosamente nada.

Que expectativa tem em relação ao Orçamento do Estado para 2023?

Estou muito preocupado. O Governo não faz o caminho que deve percorrer. Avizinha-se um tempo de austeridade para os portugueses - austeridade escondida, porque António Costa não assume nada. São sempre os ministros e secretários de Estado que vão dizer isto. Ele nunca tem responsabilidade por nada. Só quer dar as boas notícias, e mascaradas, como foi o caso da medida para os pensionistas que enganou os portugueses.

A preparação das próximas autárquicas é uma prioridade?

É claramente uma prioridade e vão começar a ser trabalhadas dentro do PSD/Porto a partir do dia 24 de Setembro, isto é, logo após as eleições para a distrital. Queremos recuperar o domínio que tivemos no passado.

Vai ser um novo ciclo, pois mais de metade dos presidentes das câmaras do distrito do Porto não se recandidatam (e quatro dos cinco do PSD). Já tem ideias definidas?

Ainda não, porque é um trabalho muito longo. O que para já sabemos é que, dos 18, dez vão sair, sendo quatro do PPD-PSD, um deles independente e cinco do PS. Há aqui oportunidades, mas também há preocupações. É um ciclo novo que se abre e uma oportunidade que surge para um conjunto de pessoas poder liderar, ser vereador ou presidente de junta. Esse trabalho vai começar a ser feito já, mas não vamos olhar apenas para as câmaras em mudança de ciclo. Temos de olhar para todas por igual, uma vez que há municípios cujos presidentes nada fizeram em quatro, oito ou 12 anos.

O que seria um sucesso nas eleições?

Ganhar mais câmaras porque, obviamente, o objectivo é liderar mais do que cinco. É inverter este ciclo de perda, dando assim início a um novo ciclo positivo e virtuoso. No fundo, é isso: liderar mais câmaras, mais assembleias municipais e mais juntas de freguesia. É aquilo a que nos propomos nos próximos anos.

Está a cumprir o último mandato como presidente da Câmara da Trofa. Já decidiu o que vai fazer a seguir?

Sinceramente, não. Ainda faltam três anos e estou tão focado no trabalho que estou a fazer, quer como presidente da câmara da Trofa, quer como aquele que vou desempenhar na distrital do Porto, visto que se trata de uma lista única. Não dá para pensar em mais nada.

O actual vereador social-democrata Vladimiro Feliz será uma boa opção para a Câmara do Porto daqui a três anos?

É muito cedo e prematuro decidir. Porque antes da escolha de um candidato tem de ser definida uma estratégia e tem de se envolver as pessoas certas. O candidato deve emergir depois disso, daquilo que é o projecto, para ganhar a confiança dos portuenses. Sabemos quem será candidato pelo PS: José Luís Carneiro, João Matos Fernandes ou Manuel Pizarro. Destes três, sai um, mas nenhum deles será melhor do que o nosso candidato.

O rioísmo está morto e enterrado no PSD/Porto?

Esse é um assunto do passado e devemos honrá-lo, mas também perceber o que foi mal feito e não repetir. O nosso resultado desastroso nas últimas eleições deveu-se à nossa incapacidade de passar a mensagem, sobretudo para os pensionistas. Nós não estivemos perto das pessoas e isso tem de mudar.

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