Roteiro da carne assada: O (quase) encontro imediato em Viseu e o passa culpas do orçamento chumbado

António Costa fez a primeira arruada da campanha, em Beja, onde, de samarra transmontana, teve de responder a perguntas inesperadas. André Ventura e Rui Rio tudo fizeram para não cruzar olhares em Viseu. Bloco e PS trocam acusações, PCP alerta para contestação social e PAN esteve num canil em Évora.



Nesta quarta-feira, dia 3 da campanha eleitoral, houve alguns focos de curiosidade na actividade de rua das forças partidárias.

O CDS terminou o ‘roteiro’ pelos distritos em que costuma ter menos votação. Começou o dia em Setúbal, no Mercado do Livramento, a pedir a recuperação do deputado perdido em 2019. Focando o seu discurso nos idosos e desfavorecidos, Francisco Rodrigues dos Santos voltou a falar de um complemento social para idosos e de um vale farmácia para quem tiver mais de 65 anos. À noite houve um jantar no concelho de Odivelas, que contou com a presença de João Gonçalves Pereira, líder da distrital de Lisboa e assumido crítico de Francisco Rodrigues dos Santos.

O PSD também quer recuperar um deputado, mas na Guarda, onde agora tem apenas um. Mas foi em Viseu que se deu um momento caricato. As caravanas do PSD e do Chega quase se cruzaram, mas, devidamente, avisadas uma da outra fizeram tudo para não se fitarem. E a verdade é que estiveram a 50 metros uma da outra. O Chega saiu de cena com rapidez e o PSD ocupou o Rossio. Rio não se coibiu de considerar uma piada a sugestão de Ventura em ser vice-primeiro-ministro de um governo PSD e não teve problemas em deixar uma farpa a António Costa: “Acho uma coisa curiosa que António Costa diga que podem confiar a maioria absoluta ao PS porque temos o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Tem mais confiança no presidente Marcelo do que em Mário Soares, Jorge Sampaio ou Cavaco Silva?”

O PS começou o dia no Baixo Alentejo e terminou no Algarve. Em Beja António Costa surgiu com uma samarra transmontana de Vinhais, mas foi questionado sobre quando tencionava avançar com um novo hospital em Beja, precisamente no dia em que surgiram demissões na unidade hospitalar da cidade alentejana. Sempre acompanhado pela mulher visitou uma estufa de morangos antes de rumar a Faro. Ao jantar teceu duras críticas ao Bloco de Esquerda e ao PCP sem nunca mencionar os nomes dos partidos que formaram com os socialistas a geringonça: “Aquilo que fizeram foi derrubar o Governo, chumbando o Orçamento do Estado para 2022. Não venham com desculpas de que queriam afinal negociar, porque estivemos vários meses a negociar. Não deram sequer oportunidade de prolongar as negociações e tentar melhorá-lo na especialidade, reservando o voto para a votação final. Não, quiseram logo cortar-nos as pernas ao início e chumbaram o Orçamento logo na generalidade.”

O Bloco de Esquerda não perdeu a oportunidade de responder com um post nas redes sociais. “Quem desistiu de discutir o Orçamento do Estado na especialidade foi António Costa. O próprio o confirmou em entrevista”. O Bloco fez uma arruada em Lisboa, voltou a salientar o desejo de ser a terceira força política com a coordenadora Catarina Martins a dizer que Portugal não precisa de maiorias absolutas. À noite, em Torres Novas, Catarina Martins atacou directamente o PS, que apelidou de “campeão das privatizações” e deixou um sério aviso: “Com maioria absoluta, os CTT continuarão a ser destruídos e a EDP continuará a assaltar o país. Portugal tem todas as condições para abrir um novo ciclo que responda pelo país. Só a força do Bloco será capaz de dar voz a esta maioria social.”

A Iniciativa Liberal dedicou o dia aos transportes. João Cotrim Figueiredo deslocou-se a Almada de metro e cacilheiro tendo defendido a privatização da travessia do Tejo o que possibilitaria, segundo as suas contas, uma poupança na Transtejo e na Soflusa de dois milhões de euros. Virando o discurso para a TAP, Cotrim Figueiredo, em campanha no Aeroporto Humberto Delgado, lembrou que a IL foi o único partido que defendeu “desde o princípio” a privatização da companhia aérea.

A CDU esteve na terra do histórico Octávio Pato, Vila Franca de Xira. João Oliveira, ainda em substituição de Jerónimo de Sousa, marcou presença numa fábrica de baterias e acenou com o perigo da maioria absoluta do PS: “A experiência que os portugueses têm de maiorias absolutas é a experiência de decisões que são tomadas contra os interesses dos trabalhadores e contra as suas condições de vida.”
E não colocou de parte um aumento da contestação social em consequência de uma eventual maioria absoluta do PS: “Não é uma coisa que se ligue e desligue com um botão, depende da solução.”

A quarta-feira da CDU terminou em Loures onde os comunistas perderam recentemente a autarquia para o PS.

O PAN esteve num canil em Évora, dedicando o dia às políticas de protecção animal. Inês Sousa Real lembrou que estava a negociar com o PS o aumento da verba de 10 milhões de euros para a modernização de canis no OE 2022. Instada a aliar-se preferencialmente ao PS por uma eleitora eborense, Inês Sousa Real não se comprometeu, mas sempre foi manifestando um maior distanciamento das políticas de direita

– O tema –

A maioria absoluta foi novamente aflorada pelos mais diversos partidos mas o tema do dia, transversal a todas as forças, residiu na decisão de deixar votar os eleitores infectados ou em isolamento, com a recomendação de que o façam entre as 18h00 e as 19h00.

– A surpresa –

A arruada do Chega, possivelmente a mais rápida de sempre, para não se cruzar com a caravana do PSD no centro de Viseu.

– O embaraço –

António Costa voltou a ser confrontado com uma situação embaraçosa quando em plena arruada de Beja lhe foi pedida construção de um novo hospital na capital do Baixo Alentejo, isto no dia em que 12 chefes de equipa das urgências do actual Hospital de Beja pediram a demissão . “Se fosse em Évora já estava feito”, ouviu de uma bejense pouco diplomática perante o sorriso do primeiro-ministro.

– A frase –

“Tenho de concordar com André Ventura, porque eu fui o primeiro a pedir que fizéssemos uma campanha bem-disposta e com humor. É evidente que é uma piada.”

Rui Rio, sobre a sugestão de André Ventura em ser vice-primeiro ministro num governo PSD

– O tweet –

“O Zé Albino* anda desolado com esta aproximação do PAN ao PS”, Rui Rio, presidente do PSD *Zé Albino é o gato de Rui Rio

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