Rio não abre o jogo sobre a recandidatura mas o resultado autárquico foi “excelente”

Líder do PSD bateu palmas à vitória em Lisboa, contabilizou perdas e ganhos e, no fim, a avaliação é a de que as contas autárquicas foram excelentes. Decisão sobre recandidatura a mais um mandato como presidente social-democrata vai ter de esperar: a gestão do tabu começou no maior partido da oposição.



Rui Rio não surpreendeu ao guardar para si a decisão de recandidatura a mais um mandato à frente dos destinos do PSD, mas assinalou este domingo que o partido teve “um excelente resultado” autárquico e até deu os parabéns a Carlos Moedas, antes mesmo de se saber que este era o novo presidente da Câmara de Lisboa.

A oficialização do resultado em Lisboa soube-se, aliás, durante a conferência de imprensa do presidente do PSD. Na sede nacional social-democrata gritou-se vitória e Rio, que ainda prestava declarações aos jornalistas, parou para bater palmas. Minutos antes tinha garantido que iria dar um abraço a Moedas, independentemente do resultado.

Quanto à leitura da noite eleitoral autárquica, Rio respondeu a todas as críticas, uma por uma: aos comentadores, a quem não esteve genuinamente no terreno nas autárquicas (“hoje é muito importante quando se está na política a troco de nada”) e às sondagens, exigindo estudos decentes. Rio não esclareceu se é recandidato, mas o discurso é o de quem vai tentar novamente mais dois anos como presidente do maior partido da oposição. Agora é tudo uma questão de calendário. “Hoje estou a analisar resultados das autárquicas, não estou a analisar o futuro. Mas os resultados têm de ser vistos em termos relativos”, lembrou Rui Rio, considerando que a recuperação do PSD foi “muito boa” e que o partido conseguiu recuperar implantação nos centros urbanos, contrariando a análise de muitos comentadores.

E se dúvidas houvesse de que Rio estará apenas a gerir um tabu, o líder do PSD lembrou que “estamos hoje em melhores condições de ganhar as legislativas de 2023. Este resultado é um impulso do PSD muito importante para o futuro do país. Ficou provado que o futuro não se resolve com rajadas de promessas, resolve-se com propostas e com um discurso genuíno e sincero”.

Nas contas do PSD, o partido tem mais 31 presidentes de câmara, mas perdeu 15. No balanço, Rio pode chamar a si os ganhos em Coimbra, Portalegre ou Barcelos (onde as estruturas andaram em guerra e o líder apostou no vencedor). No distrito de Évora ganhou seis câmaras e o PSD recuperou votos em concelhos como Porto ou Sintra. Mas perdeu, por exemplo, a Guarda e Vila Real de Santo António .

A seguir, Rui Rio foi dar um abraço a Carlos Moedas e o PSD entra agora na contagem de espingardas para as directas de 2022. O eurodeputado Paulo Rangel deverá esclarecer nos próximos dias se entra ou não nessa contenda eleitoral interna. Os números da noite de domingo serão fundamentais para afinar a sua estratégia.

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