Rio avisa que seria prejudicial ao país e ao PSD mudar de líder e vai à luta: “Estou picado”

Líder social-democrata atacou “tendência autofágica” no partido nas últimas três semanas e que “ganhar as próximas legislativas” está “bem mais perto”. Até admite fazer debates com o adversário Paulo Rangel e vai para o combate: “Quando me picam, eu vou melhor.”



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O líder do PSD, Rui Rio, escolheu o Porto para apresentar a sua recandidatura, num distrito em que as estruturas apoiam maioritariamente Paulo Rangel, o eurodeputado, que apresenta domingo as linhas gerais da sua candidatura... também no Porto.

“Contra tudo e contra todos”, os resultados autárquicos foram melhores do que muitos esperavam e, agora “ganhar as próximas eleições legislativas e substituir a governação socialista está, hoje, seguramente, bem mais perto”, atirou Rui Rio numa sala cheia, num hotel, no Porto. No final, o recandidato à liderança do PSD até disse estar disponível para debates televisivos porque “quando o picam, vai melhor”. Mais: “Estou picado”, garantiu perante uma sala que gritava pelo seu nome, e lembrando que o seu adversário “teve o pior resultado da história do PSD”, nas Europeias de 2019.

Além disso, na óptica de Rui Rio “seria muito prejudicial para o partido e, principalmente, para Portugal, se o PSD mudasse de presidente”, quando há uma clara inversão de ciclo político.

O presidente incumbente do PSD não resistiu a atirar farpas à oposição interna e avisou que “num curto espaço de três semanas, uma incompreensível tendência autofágica, originou divisões internas que o bom senso aconselharia a evitar, em período tão favorável ao nosso partido”. O período favorável é a subida do PSD nas autárquicas, mostrando a “tendência descendente” dos socialistas.

Num tom combativo, Rio insistiu no registo de que conta com o voto livre dos sociais-democratas, porque “não são as estruturas dirigentes nacionais ou locais que são os donos dos votos, ou seja, da dignidade das pessoas”. Em suma, o maior partido da oposição “não pode ser uma coutada seja de quem for, muito menos de quem, tantas vezes, se move essencialmente pela defesa do seu lugar pessoal”. A crítica era uma indirecta para Paulo Rangel, que leva grande vantagem no apoio das estruturas distritais sociais-democratas.

O líder social-democrata considerou ainda um “aventureirismo” ter-se marcado o congresso para janeiro, mês em que, se houver crise política, o Presidente da República tenciona marcar eleições antecipadas. Rio não esqueceu a derrota no conselho nacional do PSD, apesar de não a encarar publicamente como tal. Há uma semana, o órgão máximo entre congressos, disse não à suspensão do calendário eleitoral do PSD até se perceber se o Orçamento do Estado para 2022 é aprovado ou chumbado. Para Rio, a decisão dos conselheiros foi um “aspecto negativo”, mas “os portugueses não entenderiam uma não recandidatura do líder, que com o generoso contributo de tantos e tantos militantes, conseguiu os êxitos” eleitorais para o PSD.

Os êxitos para Rio foram os resultados regionais na Madeira, a recuperação do poder nos Açores, o contributo para a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, e a vitória autárquica, por exemplo, em Lisboa.

Por diversas vezes, o recandidato à liderança do PSD insistiu na ideia de falar aos portugueses (além dos militantes), porque “o que está verdadeiramente em causa é a escolha do principal governante de Portugal; de alguém que os portugueses reconheçam com o perfil adequado ao exercício do cargo que vai estar em disputa entre o PSD e o PS”.

Nas respostas a jornalistas, Rui Rio ainda assegurou que quis agregar o PSD- até fez tudo para unir-mas que não pode fazer mais nada. Para o efeito, lembrou que fez um acordo com Santana Lopes, em 2018, escolheu Paulo Rangel para o conselho nacional e para cabeça de lista para as europeias em 2019 (o acto eleitoral que Rio classificou de o pior da história do PSD), até indicou Fernando Negrão para líder parlamentar em 2018 (na altura o deputado não o apoiou).

As eleições directas do PSD estão marcadas para 4 de dezembro e o congresso para os dias 14, 15 e 16 de janeiro, em Lisboa.

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