Referendo à eutanásia: PS acusa PSD de seguir agenda da extrema-direita

Esta posição foi transmitida por Eurico Brilhante Dias em reacção ao anúncio de Luís Montenegro de que o grupo parlamentar social-democrata vai entregar um projecto de resolução a pedir um referendo sobre a despenalização da eutanásia.



O líder parlamentar do PS acusou hoje o PSD de ser seguidista em relação à agenda da extrema-direita ao propor um referendo sobre a eutanásia e considerou que Luís Montenegro desautorizou a bancada social-democrata sobre esta matéria.

Esta posição foi transmitida por Eurico Brilhante Dias em reacção ao anúncio de Luís Montenegro de que o grupo parlamentar social-democrata vai entregar um projecto de resolução a pedir um referendo sobre a despenalização da eutanásia.

“Concorda que a morte medicamente assistida não seja punível quando praticada ou ajudada por profissionais de saúde, por decisão da própria pessoa maior, cuja vontade seja actual e reiterada, séria, livre e esclarecida, em situação de sofrimento de grande intensidade, com lesão definitiva de gravidade extrema ou doença grave e incurável?” é a pergunta para referendo proposta pelo PSD.

Para o presidente do grupo parlamentar do PS, esta proposta do PSD “demonstra que Luís Montenegro vive condicionado pela extrema-direita parlamentar”.

“Por isso, hoje, uma vez mais, resolveu alterar a posição do PPD/PSD, numa atitude seguidista face ao partido de extrema-direita que tem assento neste parlamento”, declarou.

Perante os jornalistas, Eurico Brilhante Dias referiu que, em 9 de Julho deste ano, no Parlamento, foi votado o projecto de lei para a despenalização da morte medicamente assistida e, em paralelo, foi votado um projecto de resolução do Chega a pedir um referendo.

“Esse projecto de resolução [do Chega] foi chumbado com votos do PS, mas não só. Aliás, foi chumbado também com votos de deputados do PPD/PSD”, observou.

Em relação à proposta do PSD de referendo sobre a eutanásia, pela parte do PS, espera-se que a esmagadora maioria dos deputados socialistas votem contra, embora Eurico Brilhante Dias refira que a sua bancada “tem, por norma, liberdade de voto”.

“Esta intervenção do presidente do PPD/PSD é uma autêntica desautorização do seu grupo parlamentar. O grupo parlamentar do PSD tem sido colaborante, actuante, trabalhando em comissão e no grupo de trabalho de forma muito positiva. Este assunto já foi adiado por três vezes e em nenhuma dessas vezes o grupo parlamentar do PSD suscitou sequer a questão do referendo”, apontou.

Para Eurico Brilhante Dias, o país “está perante uma pirueta” da liderança do PSD para “andar atrás da agenda da extrema-direita”.

“Era importante que o PPD/PSD se libertasse desse condicionamento, porque é um partido histórico, fundado por Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota. O PSD deve fazer oposição construtiva ao Governo, mas estar sempre a perseguir a agenda da extrema-direita é nocivo e não ajuda a uma clarificação parlamentar sobre quem são os democratas”, acrescentou.

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