Rangel é candidato e recusa acusações de deslealdade da direcção de Rui Rio

Eurodeputado anunciou candidatura aos conselheiros do PSD já depois da meia-noite. Mas primeiro recusou as acusações de deslealdade ensaiadas pela direcção do partido. Esta sexta-feira apresenta-se publicamente como concorrente à presidência dos sociais-democratas, após um conselho nacional que “correu bem ao partido” e ganhou a primeira batalha.



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O eurodeputado do PSD Paulo Rangel é candidato à liderança do partido e assumiu-o com todas as letras já depois da meia-noite na reunião do Conselho Nacional. Falta saber o que fará Rui Rio, presidente do partido, depois da derrota que sofreu no órgão máximo entre congressos.

No início do discurso, Rangel fez um pouco a defesa da honra, lembrando que não aceita “lições de lealdade”, numa farpa dirigida ao vice-presidente do PSD David Justino. Mais: acrescentou que não leva “desaforos para casa”. O eurodeputado sublinhou que Rui Rio, o líder em funções, o responsabilizou pelo mau resultado nas últimas europeias. Rangel ripostou, argumentando que poderia ter-se queixado, em 2019, do acordo feito por causa da revisão das carreiras de professores e que “baixou o resultado” do partido naquelas eleições. Não o fez porque é “leal”.

Além disso, aproveitou para lembrar a Rui Rio, por causa das suas declarações à entrada para o Conselho Nacional (a acusar os seus apoiantes de serem “meios loucos” e estarem a fazer um assalto ao poder), que essa não é uma “postura de quem quer ser primeiro-ministro”. Ou seja, o eurodeputado considerou que o líder do PSD “destratou” companheiros de partido na comunicação social.

Na sua intervenção, Rangel defendeu que o partido não pode ser “uma oposição de espera” ou estar “sentado no sofá”, a aguardar que lhe chegue a hora de subir ao poder: “Eu não acredito no PSD cuja função seja estar sentado no seu sofá à espera que o Governo Costa caia”. A frase valeu-lhe palmas e até um “bravo”, de acordo com relatos feitos ao NOVO.

Depois, atirou sobre a agenda de Rui Rio, lembrando que a bandeira do PSD não pode ser a da revisão constitucional. “Não há nenhum português em casa a aguardar por uma revisão constitucional”, argumentou o eurodeputado, insistindo que se chegar a líder, quer mudar a estratégia do PSD: do partido da espera ao partido da esperança.

A intervenção do eurodeputado focou-se na necessidade de um projecto para o PSD “agregador” que não diabolize militantes críticos. Mais, acentuou a necessidade de o PSD ser “responsável”, sem abdicar de fazer oposição. Para o efeito, lembrou o caos na Saúde e em que não se ouviu uma palavra do partido. Mais, defendeu que não é preciso “uma oposição aos berros, trauliteira”, mas “firme”.

Não é a primeira vez que o eurodeputado é candidato à liderança do PSD. Foi-o em 2010 contra Passos Coelho e José Pedro Aguiar-Branco.

Esta sexta-feira apresentará formalmente ao País, pelas 17horas, a sua candidatura à liderança do PSD.

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