Rangel concorre à liderança para “unir o PSD” e quer ganhar as legislativas de 2023 a Costa

Eurodeputado apresentou candidatura com a promessa de agregar os sociais-democratas, uma meta eleitoral, as das próximas eleições e vários desideratos, entre eles, o da mobilidade social. E quer o regresso dos debates quinzenais no Parlamento, eliminados por acordo entre Rui Rio e o PS.



O eurodeputado do PSD Paulo Rangel apresentou esta sexta-feira a sua candidatura à liderança dos sociais-democratas, em conferência de imprensa, e logo no início, considerou que tem “ todas as condições para unir o PSD” e vencer as “eleições legislativas de 2023, com uma solução de governo estável”. Mais, deixou duas promessas: desafiar o actual primeiro-ministro a ir a votos daqui a dois anos e reverter o fim dos debates quinzenais no Parlamento com o Chefe do Governo.

“Estarei pronto para liderar o partido e ter como adversário qualquer personalidade do PS; mas quero dizer aqui, que o PS de António Costa pode ser derrotado, se nós soubermos corporizar e consolidar a alternativa”, advogou o eurodeputado social-democrata.

O parlamentar optou por fazer sozinho a sua primeira declaração enquanto candidato, sem apoiantes, num púlpito com fundo azul, na mesma sala onde, em 2014, PSD e CDS fizeram a sua noite eleitoral das europeias.

Ao longo de 20 páginas de discurso, Rangel lembrou que “nos últimos anos, o PSD não foi capaz de promover o diálogo, o consenso e a cooperação interna”, fomentando-se, de alguma forma o espírito de “facção ou de tribo”.

Sobre a relação com o Chega, Paulo Rangel considerou que o partido de André Ventura “é a direita intransponível”, por isso, o diálogo deve ser feito com o “parceiro tradicional” - o CDS- e a Iniciativa Liberal. Mais, o eurodeputado decidiu colar o sucesso do Chega ao sucesso do PS: “Um Chega mais forte permite ao PS perpetuar-se no poder. Para mim, a grande questão hoje na democracia portuguesa é qual é a ligação entre o Chega e o Partido Socialista, que não é transparente. O grande interessado que o Chega possa bloquear soluções no centro-direita é o PS e não é mais ninguém”.

Na sua intervenção assumiu o desígnio da mobilidade social em que “todos possam subir na vida”, além de fazer tudo para que a ‘Casa da Democracia recupere os confrontos e a discussão quinzenal com o primeiro-ministro, uma regra regimental que foi alterada com o apoio do PSD de Rui Rio. “Com este candidato, o PSD está de volta”, foi desta forma que concluiu o discurso.

Na fase de perguntas aos jornalistas, Paulo Rangel garantiu ainda que “quando for eleito” líder do PSD, “naturalmente” renunciará ao mandato de eurodeputado. Não o fará imediatamente, mas assegurou que terá “os dois pés” em Lisboa, valorizando sempre o grupo parlamentar, o braço armado do partido.

(notícia actualizada às 20h20)

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