PSD: Rio segura votos da Madeira e dá recados a Belém

Presidente da República recebeu candidato à liderança social-democrata e eurodeputado. Em cima da mesa, o cenário de eleições antecipadas. Já o líder em funções dos sociais-democratas avisou Belém de que a Madeira “não está a venda”.



O Presidente da República assumiu que fez diligências antes do início do debate orçamental para tentar evitar uma crise política. Pelo caminho, o Presidente do Parlamento ficou com o retrato junto de cada líder parlamentar da situação política, em concertação com Belém. O jogo político acelerou a menos de 24 horas da votação da generalidade da proposta de Orçamento do Estado do próximo ano.

Houve um dado novo, o da Madeira, com o líder regional, Miguel Albuquerque, a assumir que estava disposto a conversar sobre o Orçamento de 2022 com o Governo da República. A disponibilidade foi manifestada, depois de ter dito que seria melhor para o País, que se realizassem eleições antecipadas. Mais: havia a certeza que, desta vez, nem existiam condições políticas para negociar medidas com o Governo da República, de acordo com informações recolhidas pelo NOVO, depois de se saber que PCP e BE queriam votar contra o Orçamento de 2022.

Porém, o sinal da Madeira surgiu em pleno debate orçamental em cima das diligências de Belém. O Presidente da República até foi confrontado pelos jornalistas se os seus contactos incluíram os deputados do PSD/Madeira, mas não quis detalhar. A pergunta impunha-se porque os votos a favor ( e não a mera abstenção) do Orçamento dos três deputados do PSD/Madeira, do PAN e das duas deputadas não-inscritas podem baralhar as contas para o um cenário de crise política.

Contudo, segundo apurou o NOVO, durante a tarde, não houve qualquer contacto entre Governo da República e os responsáveis da Madeira.

Perante este cenário, o presidente do PSD, Rui Rio apressou-se a dizer aos jornalistas que a “Madeira não está à venda” e que, no PSD, estão todos solidários com a estratégia de voto contra.

Ou seja, Rui Rio tentou segurar a linha que definiu no seu discurso, no confronto com o primeiro-ministro. E deixou uma crítica ao Presidente da República sobre diligências avulsas para perceber se o Orçamento é aprovado: “Se o fez junto de direcções de partidos, acho legítimo. Se o fez avulsamente, aqui ou acolá, não acho que seja a forma mais ortodoxa”. Para a equipa de Rio, a pressão deve ser colocada à esquerda e não fora desta área política. Além disso, o líder do PSD insistiu durante a tarde que o Orçamento é mau e se, já não existem condições políticas, mais vale “clarificar” e ir a votos de forma célere. “O País não pode ficar pendurado para o final de janeiro, fevereiro, março ou abril”, advertiu Rui Rio.

A mensagem para Belém é clara: Rio quer carregar no acelerador perante o cenário de eleições antecipadas.

Esta posição do presidente do PSD surgiu também após uma audiência em Belém, a pedido de Paulo Rangel, adversário de Rui Rio. O eurodeputado também está a olhar para o calendário eleitoral. O PSD vai a votos no próximo dia 4 de dezembro e tem congresso nos dias 14,15 e 16 de janeiro, em Lisboa.

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