PSD: Rangel sem tabus em pedir maioria absoluta, acusa Rio de vitimização

Candidato à liderança do PSD considera “normal” encontro com o Presidente da República e lembra ao adversário que, se quer fazer da audiência “um grande caso”, não está a pensar no País. Eurodeputado assume, que se for o escolhido, não terá receio em pedir uma “maioria estável” ao eleitorado.



Foram as primeiras declarações do candidato à liderança do PSD e adversário de Rui Rio nas directas do partido, após a confirmação da crise política. O eurodeputado defendeu esta quarta-feira, na RTP3, que se deve avançar para eleições legislativas antecipadas, preferiu não dar calendários, mas sustentou que o primeiro-ministro fez bem em não se demitir.

Pormenor? Rui Rio, o líder incumbente, tinha argumentado horas antes que seria melhor que António Costa se demitisse para acelerar o processo eleitoral. Para memória futura fica a promessa de que se for eleito líder do PSD, Rangel não quer um bloco central, caso haja um pântano político pós-eleitoral. E nem tem medo das palavras: “A nossa grande aspiração é ter uma maioria absoluta”, assumiu, “sem tabus”. Mais: puxou “um bocadinho” pelo efeito Moedas (a vitória autárquica em Lisboa) para sinalizar que a sua ambição eleitoral é realista.

O eurodeputado não fugiu à polémica do momento no PSD e classificou a audiência com o Presidente da República como “a coisa mais natural do mundo”. Paulo Rangel começou por explicar que tinha pedido, por “cortesia institucional”, o encontro em Belém. Afinal, queria explicar a Marcelo Rebelo de Sousa os motivos da sua candidatura à liderança do PSD.

Porém, Rui Rio afirmou que não era “minimamente aceitável” a audiência, sobretudo se o tema fosse o calendário de legislativas antecipadas. O parlamentar europeu ripostou com uma pergunta: “Não é normal um Presidente da República ouvir todas as pessoas que quiser? Mas agora é um líder de um partido que diz quem é que o Presidente pode ouvir e em que dias?”. Para Paulo Rangel “alguém que se quer vitimizar ou fazer disto um grande caso, não está a olhar para os problemas do País”. Ou seja, acusou Rui Rio de se estar a tentar vitimizar com o Presidente da República.

O candidato à liderança do PSD explicou ainda que Marcelo recebeu, em 2019, tanto Rui Rio, como Luís Montenegro, ambos adversários nas directas do partido. E foi Belém que agendou o encontro, pedido há vários dias.

Sobre a sua estratégia para o PSD, Rangel ensaiou já o discurso de campanha, considerando, por um lado, que o voto em António Costa “é inútil” porque não vai conseguir governar com a esquerda. Por outro, sublinhou que prefere ir sozinho a votos, sem coligações pré-eleitorais, apesar de admitir que possa ser convencido do contrário em congresso. Neste ponto só incluirá o CDS e a Iniciativa Liberal.

Na mesma entrevista, Rangel testou já algumas ideias do seu programa, como a aposta na educação no pré-escolar.

Quanto a calendários no PSD, o candidato não quis chamar a si a iniciativa de convocar um conselho nacional extraordinário do partido para antecipar o congresso social-democrata (previsto para os dias 14 a 16 de janeiro), mas confirmou ser desejável que essa alteração seja feita. Alguns conselheiros nacionais, afectos à sua candidatura, promoveram já a recolha de assinaturas para convocar o órgão máximo entre congressos, no prazo de cinco dias úteis.

Por fim, Rangel acabou por responder às críticas de Rui Rio que lhe colou o pior resultado eleitoral do PSD de sempre. Ora, o eurodeputado lembrou ao líder incumbente que o PSD sofreu os efeitos da crise dos professores, nas Europeias de 2019, quando António Costa ameaçou demitir-se (a única vez que o fez) graças a um acordo entre PSD, CDS, PCP e BE, na revisão de carreiras dos docentes.

O PSD vai a votos no próximo dia 4 de dezembro.

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