PSD: O que dizem os mandatários mais jovens dos candidatos sobre o papel das novas gerações

Para João Pedro Luís e Lídia Pereira, mandatários de Luís Montenegro e de Jorge Moreira da Silva, existe um ponto de convergência: os jovens estão mobilizados para a política e o PSD continua a conseguir captá-los



João Pedro Luís é o mandatário da Juventude da candidatura de Luís Montenegro, enquanto Lídia Pereira é a mandatária para o Desenvolvimento Sustentável de Jorge Moreira da Silva, cuja candidatura optou por considerar que o desenvolvimento sustentável defende melhor os direitos das novas gerações. Em vésperas das eleições directas de 28 de Maio, o NOVO lançou algumas questões aos dois sobre o interesse (ou desinteresse) dos jovens na política e o PSD.

Lídia Pereira, mandatária para o Desenvolvimento Sustentável de Moreira da Silva

Esteve numa acção de campanha em Coimbra, em mais uma sessão de Diálogos com Futuro a discutir habitação, educação e saúde. Sente que os jovens do PSD estão mobilizados para esta campanha interna?

O PSD é certamente um grande partido intergeracional e interclassista. É o partido das pessoas e, por isso, é o partido das pessoas jovens também. Essa vitalidade é reconhecida, por exemplo, na dinâmica da JSD, mas não só. O PSD tem conseguido rejuvenescer-se e nos últimos anos tem conseguido apresentar representantes políticos de gerações mais jovens, contribuindo para uma maior identificação do eleitorado mais jovem com o partido. Isso permite afirmar com convicção que, de facto, os jovens do PSD estão mobilizados para a campanha interna e certamente serão determinantes na decisão sobre o futuro do partido.

João Pedro Luís, mandatário para a Juventude de Luís Montenegro

Acha que os jovens estão desinteressados da política em geral? Não estou só a falar do PSD.

Acho que isso não é verdade. Muitas vezes vemos essa ideia veiculada em muitos sítios, mas vou dizer-lhe que acho que isso não é verdade. A maior prova que podemos dar para contra-argumentar essa narrativa é que temos cada vez mais jovens que participam nas associações de estudantes das suas escolas, nas associações académicas quando vão para as universidades, que muitos deles até procuram, depois, as juventudes partidárias. Acho que daquilo que os jovens podem estar relativamente cansados é de a política continuar a ser feita como era feita nos anos 70, 80 e 90. Efectivamente, a política hoje é totalmente diferente. A geração que hoje quer participar politicamente, que quer intervir na sociedade, é totalmente diferente. Mas acho que os jovens continuam interessados na política de um modo geral. No caso do PSD, continuamos a contar com muitos jovens na Juventude Social-Democrata (JSD) que têm muita vontade de participar e de intervir politicamente.

Lídia Pereira, mandatária para o Desenvolvimento Sustentável de Moreira da Silva

Como é que se podem mobilizar (ainda) mais os jovens?

O que referi não excluí a necessidade do partido, que se considera o mais reformista de Portugal, ambicionar a uma agenda de futuro. Identificou muito bem três dos assuntos que os Diálogos do Futuro debateram recentemente, mas a agenda do PSD não pode, e no que me diz respeito, não irá certamente, esgotar-se nestes assuntos para a juventude, até porque os problemas da juventude são multidisciplinares e transversais a várias áreas. Por exemplo, a preocupação com o ambiente e com o desenvolvimento sustentável, uma marca de Jorge Moreira da Silva, é outro tema que o PSD irá liderar na agenda de desenvolvimento global e que quererá compatibilizar com outros, por exemplo o emprego, com base no conhecimento e inovação, mas que precisa de continuar progressivamente a valorizar pelo salário e palas condições laborais o trabalho. Estes dois temas, associados aos temas debatidos recentemente, devem fazer parte de um sistema que responda às necessidades e expectativas de estilo de vida dos jovens, que dê condições para a constituição de família (e por isso promoção da natalidade), da valorização da cultura e das experiências sociais que tanto dizem aos jovens de hoje. A mobilização dos jovens terá assim de ser assegurada por um Diálogo de Futuro e não ficar refém de concepções da juventude do passado.

João Pedro Luís, mandatário para a Juventude do Luís Montenegro

Em sua opinião, não colhe a ideia de que o PSD está velho?

Não, acho que não. E temos visto cada vez mais, no nosso partido, rostos novos a emergir. Acho que essa não é uma realidade.

Sente que o PSD está mobilizado?

Vou ser franco: eu sinto o partido mobilizado para esta eleições. O PSD vive um momento difícil na sua história, diria até que as eleições do próximo sábado são decisivas para aquilo que é o futuro do PSD. Fazemos parte de um partido que quando, teve oportunidade de governar em tempos de normalidade conduziu Portugal ao seu ciclo de maior prosperidade e crescimento. Mas também é um partido que já foi chamado a governar nos momentos mais difíceis para salvar Portugal dos erros e das irresponsabilidades do PS. E, portanto, o grande partido, que é o PSD, está num momento em que precisa de se reerguer e voltar a ser aquele partido das vitórias, da vocação maioritária. Acho que todos os militantes do PSD entendem que este é um momento muito importante para o partido, onde nós precisamos de voltar a eleger um líder, um verdadeiro líder para comandar o PSD durante próximos anos.

Lídia Pereira, mandatária para o Desenvolvimento Sustentável de Moreira da Silva

Como é que se podem ir buscar jovens para as causas do PSD que possam ter votado na Iniciativa Liberal nas últimas legislativas?

A marca do PSD é a marca do inconformismo da democracia portuguesa. Foi o PSD, pela agenda da juventude, que conseguiu vitórias para sucessivas gerações, como o fim do Serviço Militar Obrigatório, que iniciou a preocupação com a agenda do ambiente, que desenhou as primeiras políticas de juventude e mobilidade juvenil, que criou a primeira lei de associativismo jovem. O PSD precisa de recuperar esse seu legado e continuar a dar aos jovens e às novas gerações respostas para as suas causas. E as suas causas continuam em grande medida a serem as causas geracionais de sempre: uma valorização da democracia, por exemplo, por via das associações de estudantes que tem vindo progressivamente a ser excluídas dos lugares de decisão das Instituições de Ensino Superior ao abrigo de um Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, aprovado pela maioria socialista e que até hoje não teve qualquer revisão, ou por uma Lei de Associativismo Jovem que não reconhece as novas dinâmicas sociais e grupos de juventude, apoiando-os no seu desenvolvimento, no desporto, asfixiando muitos clubes pela falta de apoio, ou na cultura, que não passa de um pronome para o PS sem a dinâmica que o verbo exige, tratando os artistas como subsídio-dependentes. A agenda da Iniciativa Liberal poderá ter um discurso que seduz algum eleitorado, mas os jovens portugueses procuram o compromisso, gostam de ter algum apoio numa geração que por definição é constante na mudança. Só o PSD representa, ideologicamente e na prática do seu compromisso com os eleitores, o equilíbrio entre uma agenda de futuro que reconhece e responde às agendas da juventude e ao mesmo tempo valoriza os cidadãos mais jovens na sua identidade e no seu próprio projecto de vida. Há certamente um esforço e uma necessidade de maior arrojo na comunicação e maior envolvimento com as estruturas independentes de juventude, desde as associações de estudantes às organizações de juventude, o que resulta do facto de sucessivas lutas internas que viraram o partido para dentro, mas acredito que chegou o tempo de poder construir e recuperar a relação histórica entre o PSD e os agentes mais activos da sociedade, incluindo os mais jovens.

João Pedro Luís, mandatário para a Juventude de Luís Montenegro

Como é que o PSD pode ir buscar, por exemplo, os jovens que terão votado na Iniciativa Liberal nas últimas legislativas?

Há uma questão relevante. Deixe-me só dizer o seguinte antes de responder à sua questão. Muitas vezes vemos veiculado na comunicação social que os jovens largaram os partidos tradicionais, no caso até o PSD, e que têm feito uma deriva para a Iniciativa Liberal. Mas eu recordo que houve um estudo feito, a seguir às eleições legislativas, sobre as faixas etárias, e o PSD, apesar do resultado francamente abaixo das expectativas e francamente negativo, até ganha, segundo esse estudo, na franja dos 18 aos 25 anos. Todavia, é verdade que houve alguns jovens que nós podemos ter perdido para outros partidos. E parece-me que a forma de ir buscar esses jovens é a mesma forma de ir buscar esse eleitorado que era nosso, que sempre votou no PSD e pode ter derivado para outros partidos. É com as bandeiras e com as causas, porque há uma série de bandeiras que a Iniciativa Liberal tem levantado, que também sempre foram bandeiras do PSD: como a defesa do contribuinte, por exemplo, como entender que os jovens não podem pagar tantos os impostos no início da sua vida. Acho que o caminho para irmos buscar as pessoas, neste caso os jovens, que podem ter derivado do seu partido de sempre, que é o PSD, para outros partido mais recentes, é através das causas e das bandeiras, mas também é sobretudo projectando um PSD forte, pujante e galvanizador, como nós tivemos em alguns períodos da nossa história. Que nos conduziram a grandes vitórias eleitorais.

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