PSD: Moreira da Silva promete não ser líder de facção

Adversário de Luís Montenegro nas últimas directas conversou com o novo presidente, mas entendeu não aceitar os seus vários convites. E assumiu fazer o discurso “mais difícil da sua vida”.



Jorge Moreira da Silva foi o candidato derrotado nas últimas eleições directas contra Luís Montenegro na corrida à liderança do PSD. Ambos falaram várias vezes nas últimas cinco semanas, e o presidente eleito do PSD terá tentado convidar o seu adversário para o conselho nacional. Mas este sábado, o antigo ministro do Ambiente até revelou que foram vários os convites do novo presidente ‘laranja’. A todos disse não, porque Moreira da Silva gosta das “coisas claras” e unidade não significa “unanimismo”. E disse-o com todas as letras este sábado no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Na sua intervenção, interrompida pelo o ainda presidente da mesa do congresso a lembrar-lhe os tempos, Moreira da Silva confessou que aquele era “o discurso mais difícil da sua vida”. Mas, no final, o ex-governante garantiu não só não integrar listas a órgãos partidários, como não as promover entre os seus apoiantes. “Eu não sou líder de fação e quem me apoiou não será oposição”, assegurou.

Sobre os convites de Montenegro, que Moreira da Silva quis relevar a “crédito” do líder do PSD, o ex-candidato à presidência ‘laranja afirmou: “Apesar deste gesto de simpatia e de generosidade, eu entendi que no melhor interesse do partido, era preferível não integrar porque eu gosto de coisas claras e essa integração não daria um bom contributo ao partido e colocaria em dúvida a integridade dos projectos e das ideias”. Ou seja, vai bater-se pelas suas ideias, mas dará todas as condições para o mandato de Luís Montenegro, sem espaço para desculpas: “Quero assegurar que da minha parte - e estou certo, da parte de todos aqueles que me apoiaram e a quem quero agradecer de forma muito sensibilizada- todas as condições de unidade e de estabilidade que são essenciais para o cumprimento do seu mandato com os resultados eleitorais que todos queremos alcançar”, afirmou.

Antes da sua intervenção, falou Carlos Eduardo Reis, o seu director de campanha e o homem da sua estrutura mais alinhado com Rui Rio. O também deputado não faz nenhuma lista ao conselho nacional, mas foi ao palco defender o legado do líder cessante e deixar o alerta para a estratégia que deve ser ao centro ( como sempre defendeu Rio): “Abdicar da nossa moderação é trair a essência do nosso projecto fundacional”. De facto, foram poucas vozes a subir ao púlpito para apoiar o legado de Rui Rio (e ouviram-se críticas contra o líder cessante). No arranque dos trabalhos, na sexta-feira, o ainda secretário-geral do PSD, José Silvano, até sintetizou: “Há quem goste muito dele e há quem o deteste”, declarou, citado pela RTP.

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