PSD: Montenegro propõe programa de emergência social e avisa que Governo “merece ser despachado”

Rentrée social-democrata contou com Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro, a surpresa da Festa do Pontal. Já o líder laranja prometeu mais escrutínio do Executivo e anunciou uma proposta para apoiar famílias que vale mil milhões de euros.



O PSD recuperou a Festa do Pontal e juntaram-se perto de 1500 pessoas para a rentrée social-democrata este domingo, em Quarteira. A iniciativa contou com um convidado-surpresa: Pedro Passos Coelho, antigo líder do partido e ex-primeiro-ministro. À chegada, garantiu que a sua aparição era uma excepção, mas que quis dar “um abraço” a Luís Montenegro, líder do PSD, esperando que venha a ser “o próximo primeiro-ministro”.

Foi o primeiro sinal da rentrée dos sociais-democratas: uma espécie de reconciliação, ainda que o comentador televisivo Marques Mendes já tenha aproveitado para um prognóstico: “Passos Coelho ainda não desistiu de voltar à vida política activa. O que ele mais gostava era de voltar a ser primeiro-ministro. Mas, se não for possível, há sempre a hipótese de ser candidato a Presidente da República. Pode suceder ou não suceder, mas ele quer deixar todas as portas abertas”, vaticinou no seu comentário dominical, na SIC.

Já Luís Montenegro subiu ao palco da Festa do Pontal para dizer que a “máquina laranja está de volta” e que o PS confunde o próprio “partido com o Estado”. Mais: “Neste governo dos despachos, quem está a merecer ser despachado é o Governo, é o primeiro-ministro e os outros membros do Governo”, defendeu o presidente social-democrata, revisitando todos os casos polémicos das últimas semanas, desde o do aeroporto à escolha de Sérgio Figueiredo para consultor especial no Ministério das Finanças.

Por fim, Montenegro anunciou que, em Setembro, o PSD quer ver discutido o seu programa de emergência social no Parlamento. O plano custa mil milhões de euros e deve ser aplicado entre Setembro e Dezembro. Objectivo? Acudir às famílias, aos pensionistas e também às empresas e IPSS para fazer face à crise.

O líder do maior partido da oposição levou as contas feitas para cada medida que anunciou: o excedente orçamental deste ano, fruto da maior receita fiscal, deve valer mais 4 mil milhões de euros. Assim, o PSD quer canalizar mil milhões para distribuir vales de 40 euros mensais a pensionistas com reformas até 1097 euros, igual medida para as famílias com rendimentos abaixo deste valor, sem contar com um apoio extra de 10 euros nos abonos de família, destinados a crianças e jovens. Esta última medida custará cerca de 40 milhões de euros.

Para a classe média, com rendimentos entre os 1100 e os 2500 euros, deve avançar um alívio fiscal, através da revisão do quarto, quinto e sexto escalões. O impacto desta proposta vale 200 milhões de euros.

Todas estas medidas são transitórias e servem para mitigar os efeitos da crise e da escalada de preços provocada pela inflação. Por fim, o PSD também proporá medidas para atenuar os efeitos do preço da energia para as IPSS e para as pequenas e médias empresas.

Montenegro fechou a sua intervenção de cerca de 45 minutos para lembrar que o caminho de oposição não será fácil: “Vamos ter de ultrapassar muitas dificuldades. Estamos muito cientes disso. Mas nós viemos mesmo para ganhar as eleições e para sermos governo em Portugal. Não estamos aqui de plantão.”

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