PSD: Candidatos à liderança vão ao conselho nacional da JSD mas separados por meia-hora

O líder da JSD, Alexandre Poço, pretende entregar em mãos uma lista de contributos para o futuro do partido que inclui primárias para a escolha do presidente dos social-democratas e da respectiva direcção.



A JSD reúne-se este sábado em conselho nacional, em Chaves, e terá um ponto de debate com os candidatos à liderança do PSD: Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva. Ambos farão uma apresentação e responderão a perguntas, mas cada um em separado, e com meia-hora de diferença, a sete dias das eleições directas.

No encontro receberão do líder da JSD um documento com vinte e duas páginas intitulado “Contributos para colocar o PSD na linha da frente”, com várias propostas, muitas delas que implicam uma revisão estatutária.

Na lista está a introdução de “eleições directas primárias para a escolha do presidente do PSD e restante direcção nacional do partido, dando o direito de voto aos cidadãos que quiserem participar na eleição, sendo ou não militantes do PSD”. Além disso, o congresso electivo deve realizar-se antes do processo das primárias, servindo para o debate de ideias, as “linhas gerais de cada moção de estratégia global” e a eleição dos restantes órgãos do PSD. O objectivo é voltar a dar “interesse político e mediático” às reuniões-magnas dos social-democratas, de acordo com o documento.

A nível interno , o processo de escolha do líder por primárias deveria também deixar de impor a obrigação de quotas em dia para a escolha do mais alto cargo do PSD. O alcance das propostas é o de “abrir o partido”, como explicou ao NOVO o líder da JSD, Alexandre Poço.

Mas as propostas da JSD vão muito mais além, profissionalizando o Conselho Estratégico Nacional ou a criação de uma estrutura interna de sondagens.

No documento toca-se ainda num ponto que poucos líderes quiserem abordar: a mudança da sede nacional do PSD da Rua São Caetano à Lapa para um local mais central da capital.

No quadro de modernização do partido, a JSD defende a aposta regular na formação política, o recrutamento anual de jovens “recém-saídos do Ensino Superior” e a transformação do Instituto Francisco Sá Carneiro no think thank do PSD, com parcerias com instituições de ensino, além de medidas como a criação de um podcast ou mesmo a abertura de uma loja com produtos do PSD.

Um candidato que quer adormecer o partido, o flop Costa e a defesa dos recursos naturais

A disputa interna do PSD entra agora na sua fase final e o director de campanha de Jorge Moreira da Silva, Carlos Eduardo Reis, criticou de forma dura o adversário Luís Montenegro por causa da ausência de debates televisivos. A candidatura não se conforma com falta de discussão entre os dois adversários e Carlos Eduardo Reis disse, em entrevista ao Observador, que Montenegro“ está a tentar levar o partido adormecido”. E afirmou mais: “Quem não aceita debates depois de três anos e meio a dizer que Rui Rio era meigo com o PS, que havia pouco debate, tentando sempre remeter para a questão dos debates quinzenais como se fossem o alfa e o ómega da política portuguesa... É um pouco estranho, adorando debates, que não queira debater com Jorge Moreira da Silva”.

Jorge Moreira da Silva esteve em Castelo Branco para participar em mais uma sessão de “Diálogos com Futuro” e preferiu falar de propostas concretas para o interior do País. “Defendo que se passe a contabilizar, nas contas públicas nacionais, o capital natural. Quem vive em Castelo Branco, quem vive no interior está, em nosso nome e em nome de todos os que vivem em Portugal e até no mundo, a cuidar e a proteger recursos naturais altamente significativos, seja a floresta, seja a biodiversidade, sejam os recursos hídricos”, afirmou o candidato, citado pela Lusa.

Antes, em Viana do Castelo, Luís Montenegro tinha aproveitado mais uma sessão com militantes do PSD para apontar baterias ao primeiro-ministro, acusando-o de ser “um flop”. E deu vários exemplos, mas detalhou o caso dos médicos de família: “O doutor António Costa prometeu a Portugal, por exemplo, que todos os portugueses tinham direito a um médico de família. Havia um milhão e quarenta e cinco mil portugueses que, em 2015, não tinham médico de família. Ele prometeu que todos iriam ter. Hoje são mais 250 mil, nos números oficiais”, afirmou o candidato.

Esta sexta-feira à noite voltou a defender um referendo à eutanásia, a partir de Bragança, uma ideia em que é convergente com o seu adversário, Jorge Moreira da Silva.

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