Ponham as eleições na sexta-feira à noite

“Este domingo foi dia de eleições. E é sempre aos domingos. Valha-me Deus, porque é que os dias das eleições foram marcados por panhonhas que não saem à noite nem bebem copos?”



Desde sempre que, quando as mães das minhas namoradas lhes diziam “filha, cuidado que ele não é um bom partido”, tive vontade de responder: “Ai acha que eu não sou um bom partido? Então havia de me ver inteiro!” Mas nunca tive essa coragem.

Este domingo foi dia de eleições. E é sempre aos domingos. Valha-me Deus, porque é que os dias das eleições foram marcados por panhonhas que não saem à noite nem bebem copos? Porque, se o fizessem, entenderiam que o domingo é aquele dia que passamos todo na cama, a pensar como não devíamos ter bebido o que bebemos no dia anterior.

Por isso é que não há bêbados a concorrer às eleições. Porque eles não saem da cama e, se o fazem para votar, dão por eles com o boletim de voto à frente: “Olha, está aqui um gajo com o mesmo nome que o meu! Que engraça... OH PORRA, SOU EU. EH PÁ, POIS É, EU SOU UM DOS CANDIDATOS!”

E por que raio os políticos que se candidatam têm sempre aquelas frases feitas nos cartazes de campanha? “Pelo bem de Cascais”; “Rumo a um futuro de oportunidades”; “Por todos. Por nós.” Então, se é por nós, paga-nos copos! Que assim não me mexo no dia seguinte e não voto nos teus adversários! Não voto em ti mas, ao menos, também não voto nos outros!

Para terminar, uma vez, quando estava na fila para votar, conheci uma jovem cheia de valores e dedicada aos seus princípios. É verdade, era devota. E eu nem sabia que havia uma terra chamada Vota.

Acabámos a falar sobre comida e ela disse-me o prato preferido dela. Que estranho, eu gosto da minha loiça toda da mesma maneira. Isto há gente mesmo estranha. Devia ser candidata e já nem se lembrava.

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