25 de Abril. Pedro Adão e Silva “tem um perfil académico fraco”

O professor catedrático do ISCTE André Freire considera que, na mesma faixa etária, Marina Costa Lobo e Pedro Magalhães seriam melhores escolhas para liderar as comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos.



André Freire, professor catedrático do ISCTE, não poupa críticas à escolha do professor auxiliar, também do ISCTE, Pedro Adão e Silva para comissário das comemorações dos 50 anos 25 de Abril. “Erro de casting”, “não é um professor universitário de prestígio” e “tem um perfil académico fraco” são falhas que lhe aponta.

O investigador sénior do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia faz questão de frisar que não tem qualquer questão pessoal com o seu colega de Academia, mas diz que não pode ficar calado perante esta escolha, por entender que a data deve ser comemorada com dignidade: “Trata-se de comemorar as bodas de ouro da democracia portuguesa.”

Sem deixar de lembrar que Pedro Adão e Silva foi dirigente do Partido Socialista na época de Eduardo Ferro Rodrigues, diz que esse não é o principal problema: “O problema não é se do PS, é ser uma pessoa sem currículo de revelo. Mas se queriam pôr pessoas de partidos, que fossem pessoas com lastro e que reunissem a representação de vários partidos. Isto não pode ser a festa do PS.”

Pedro Adão e Silva faz 50 anos no mesmo ano em que se assinala meio século sobre a Revolução, em 2024. E admitindo que este critério possa fazer algum sentido, André Silva entende que há nomes, praticamente da mesma idade, com “currículos incomparavelmente mais fortes”, como Marina Costa Lobo e Pedro Magalhães, que têm produzido trabalho na área da democracia e da transição democrática, sublinha.

As declarações de André Freire ao NOVO foram feitas depois de já ter publicado um post no Facebook, onde também aponta o dedo ao facto de Pedro Adão e Silva ter fraca produção académica e de ter mais currículo “no comentário político televisivo, radiofónico ou na Imprensa, ou no comentário de surf ou de futebol”.

As críticas do professor catedrático só vêm aumentar a polémica sobre a nomeação de Pedro Adão e Silva que vai ganhar um salário bruto de cerca de 4500 euros e que vai ter um gabinete até 12 pessoas, entre elas um secretário pessoal e um motorista. O líder do PSD, Rui Rio, considerou que se trata de um “pagamento” do Governo pelos comentários a favor do PS. Uma declaração que o primeiro-ministro considerou insultuosa. “Foi uma escolha do Governo, mas com o meu aval”, afirmou, por seu turno, o Presidente da República.

Adão e Silva já veio a público responder aos críticos: “O que sei é que vou trocar o meu salário de professor pelo de dirigente da administração pública de 1º grau”, disse numa entrevista à TVI em resposta às críticas.

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