Não aceitar Chega na vice-presidência da AR é dar margem a Ventura para “fazer-se de vítima”

Luís Marques Mendes entende que é “legítimo” os deputados não votarem no candidato do Chega para a vice-presidência da Assembleia da República, mas adverte que “é uma decisão muito pouco inteligente”.

Marques Mendes considerou que “é uma decisão muito pouco inteligente” não eleger um deputado do Chega para a vice-presidência da Assembleia da República. É “fazer o jogo do Chega” e dará margem ao partido para “fazer-se de vítima”.

“André Ventura vai vitimizar-se, vai ter mais palco, mais protagonismo, mais visibilidade e mais força. É desta forma que ele vai crescendo”, declarou o ex-líder do PSD no habitual espaço de comentário na antena da SIC, na noite de domingo.

O Chega foi, nas recentes eleições legislativas, a terceira força política mais votada e, como tal, tem direito a apresentar um candidato à vice-presidência do Parlamento, de acordo com o regimento da Assembleia da República. Porém, Marques Mendes lembra que “direito a uma candidatura não é uma obrigatoriedade de eleição, não é uma decisão antidemocrática”.

O comentador político acredita, aliás, que eleger um deputado para o cargo não é um objectivo para o partido: “André Ventura está-se nas tintas, está-se marimbando.”

O direito do Chega de indicar um nome para assumir a pasta da vice-presidência da AR tem gerado controvérsia, sobretudo à esquerda. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, já garantiu inclusive que “não será com os votos” da bancada comunista que o Chega vai conseguir eleger um vice-presidente.

Embora reconheça que é decisão “legítima e democrática” dos deputados dos restantes partidos do hemiciclo não votarem no Chega, Marques Mendes deixa um alerta: “Depois não se queixem que o Chega suba nas sondagens e votações e ameace a democracia.”

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