Mota Pinto responde a Montenegro: “À segunda-feira é sempre fácil ganhar o Totobola”

Presidente da mesa do congresso do PSD comentou discurso do novo líder social-democrata. Reconhece que os resultados das legislativas foram maus, mas também não basta dizer que não são os eleitores que estavam errados. É preciso dizer o que se teria feito melhor.



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Luís Montenegro, líder eleito do PSD, fez um discurso no arranque do congresso do partido com uma espécie de auto-crítica ao estado dos social-democratas. Ora, o presidente da bancada do PSD cessante (e presidente da mesa do congresso), Paulo Mota Pinto, respondeu ao sucessor de Rui Rio este sábado de manhã. “Na medida em que o resultado objectivamente foi negativo [nas Legislativas], podemos sempre tirar essa conclusão, agora era preciso dizer o que é que poderia ter feito melhor em concreto. À segunda-feira é sempre fácil ganhar ao Totobola, objectivamente o resultado foi mau, não foi bom, nós reconhecemos”, declarou Mota Pinto aos jornalistas.

A resposta surgiu na sequência da declaração de Montenegro de que não são os eleitores “que estão errados”, mas sim, algo que não está bem no PSD.

A frase de Luís Montenegro tinha um contexto: na noite da derrota eleitoral, Isabel Meireles, dirigente e grande apoiante de Rui Rio, responsabilizou os portugueses pelos resultados- “O que falhou foi o povo português”- numa declaração à RTP. A reacção provocou ondas de choque internas no PSD.

Já Mota Pinto preferiu reconhecer que os resultados não foram bons. Ponto final. De realçar que Montenegro não conta com ele para a liderança da bancada e já estão marcadas eleições para o grupo parlamentar do partido no dia 12 de Julho.

O líder cessante da bancada parlamentar tem sido encarado, dentro do PSD, como a reserva inconfessada do rioísmo para o futuro, como potencial candidato à liderança. Mais, no processo de reflexão dos candidatos à liderança do PSD, nas últimas directas, Mota Pinto terá sido abordado para concorrer. Para já, sai de cena, mas deixou o recado ao novo presidente social-democrata.

Quanto à posição de Montenegro de que não aceita ser muleta do PS, nem chantagens, mas admite sentar-se à mesa com o primeiro-ministro, Mota Pinto afirmou que foi “uma posição inteligente, de abertura ao diálogo e de continuidade das posições que foram assumidas pela direcção anterior, mas também colocando condições e contexto para o diálogo”. Isto porque “o PS não pode usar o diálogo com a oposição com intuitos estratégicos para se ilibar das suas responsabilidades”.

E lembrou que não se pode dizer que os eleitores estavam errados na noite das legislativas. É preciso reconhecer que algo não está bem no PSD. Ora,

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