Miguel Guimarães: “Temos um défice muito grande de políticos que façam acontecer”

O bastonário da Ordem dos Médicos não poupa críticas ao Governo e diz que “não há estratégia política” para o sector da saúde. Miguel Guimarães analisou o SNS e não tem dúvidas no diagnóstico: dois problemas de fundo precisam de intervenção rápida. “O SNS tem de ser modernizado” e o “capital humano, que é a alma e o motor do SNS, tem de ser valorizado”, diz, lembrando à tutela que “as guerras na saúde ganham-se por antecipação.” Também por isso, a Ordem admite interpor uma acção, a nível nacional e europeu, que trave a contratação de clínicos sem especialidade para centros de saúde.

Miguel Guimarães, de 60 anos, médico urologista do Centro Hospitalar São João, é bastonário da Ordem dos Médicos e, em entrevista ao NOVO, faz um diagnóstico do estado da saúde em Portugal. Apresenta também o plano terapêutico para um “doente” que se está a tornar crónico.

O modelo de gestão é, na óptica de Miguel Guimarães, um dos principais problemas do SNS, que deve “modernizado, atribuindo autonomia e flexibilidade na gestão às unidades de saúde, mediante orçamentos reais, e não fictícios”. O bastonário não tem dúvidas que “só assim haverá um SNS mais competitivo, que possa premiar a qualidade. Esta alteração do modelo de gestão do SNS é um sinal de luta, até porque tem tido uma gestão baseada na teoria da burocracia de Max Weber, que hoje é completamente ineficaz”.

Sobre a medida do Governo que admite contratar clínicos sem especialidade para os centros de saúde, Miguel Guimarães adianta que “a Ordem dos Médicos pediu uma avaliação jurídica para interpor uma acção, em Portugal e na Comissão Europeia. Um médico que não tem especialidade não pode assumir funções de especialistas. Isto é grave e tem penalizações”.

Leia a entrevista na íntegra na edição do NOVO que está, esta sexta-feira, nas bancas.

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