Marcelo pressiona partidos a aprovarem Orçamento: “Alternativa é pesada e custosa”

Presidente da República considera que chumbo da proposta conduziria a eleições antecipadas, consequente formação de novo Governo e construção de novo OE. Para Marcelo, uma nova proposta que seria apresentada apenas em Abril não iria conseguir compensar os seis meses de paralisação do país.



O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não tem dúvidas: o chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022 apresentada pelo Governo de António Costa iria paralisar o país durante seis meses, uma opção “tão pesada e tão custosa” que o Chefe de Estado acredita não irá acontecer. “Porque o bom senso mostra que os custos são muito elevados, tenho para mim que o natural é que – com mais entendimento ou menos entendimento, mais paciência ou menos paciência – acaba por passar na Assembleia da República o Orçamento do Estado”, declarou aos jornalistas no final de uma visita à nova casa da Ajuda de Berço, em Lisboa, esta quarta-feira.

Um dia depois de Bloco de Esquerda e PCP terem revelado que não aprovam o documento apresentado pelo Governo a não ser que o mesmo sofra alterações e se aproxime das exigências dos dois antigos parceiros de “geringonça” e do PAN ter dito que o sentido de voto ainda estava em aberto, o Chefe de Estado agitou o fantasma de eleições antecipadas para pressionar a oposição - mesmo garantindo que não está mais pessimista do que em anos anteriores. “Não estou pessimista porque continuo a entender que a alternativa é tão pesada e tão custosa que é natural que tudo seja feito para haver Orçamento”, sublinhou.

Marcelo é da opinião que, em caso de chumbo, “dificilmente o Governo podia continuar a governar com o OE deste ano dividido por 12 e sem os fundos europeus previstos na proposta para 2022”. Assim, “o mais natural seria a convocação de eleições antecipadas. Ir a votos significa 60 dias entre a convocação e a realização do acto eleitoral. Como não podia haver eleições no fim do ano, entre o Natal e o Ano Novo, as mesmas ficariam para Janeiro. Esta data significaria novo Governo em Fevereiro e novo Orçamento em Abril. Ou seja, seis meses de paragem na nossa sociedade, na nossa economia e em muitos fundos europeus”, detalhou.

O Chefe de Estado vai ouvir os partidos sobre a proposta de OE para o próximo ano nesta sexta-feira. “Democrata”, Marcelo admite que possa haver “quem pense melhor” e lhe consiga explicar “que o OE a sair em Abril vai ser muito diferente e muito melhor do que este a ser passado agora e que compensa a paragem de seis meses”. Com a certeza que essa decisão será responsabilizada e tem consequências: “Eu limitei-me a fazer um raciocínio, não me pronunciei sobre o conteúdo do OE. O que disse é que ao escolher-se o caminho do chumbo, escolhe-se um caminho que tem passos seguintes”.

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