Marcelo: “Nunca nos esqueçamos disto: somos uma pátria de emigrantes”

Presidente da República recordou os portugueses que saíram do país em busca de melhores condições de vida e deixou alerta, no discurso do 10 de Junho. “Estranho será que não queiramos para os emigrantes dos outros o que queremos para os nossos”, disse no Funchal.



O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou um forte recado de cariz social durante o seu discurso do 10 de Junho no Funchal, na Madeira, esta quinta-feira. Durante o discurso oficial, o Chefe de Estado lembrou o passado emigrante de Portugal para dizer que, tal cenário, deve levar a que os portugueses queiram igualmente as melhores condições para quem escolhe o país para viver

“Nunca nos esqueçamos disto: somos uma Pátria de emigrantes e, por isso, estranho será que, além de não fazemos mais pelos nossos emigrantes, não queiramos para os emigrantes dos outros o que queremos para os nossos”, frisou Marcelo, que destacou a importância dos imigrantes para a taxa de natalidade portuguesa e para o facto de terem sido essenciais para manter em funcionamento alguns sectores da sociedade, como a construção civil, durante a pandemia de covid-19.

“Não nos esqueçamos de agradecer aos irmãos de nacionalidade que, por esse mundo foram, criam ‘Portugais’ e aos irmãos de humanidade que criam Portugal”, sugeriu igualmente.

Durante o discurso, o Presidente da República apelou ainda a que se reconstrua “o tecido social ferido pela pandemia” e não se desperdice fundos europeus transformando-os numa “chuva de benesses para alguns”.

“A terra, esta terra exige mais de nós, que o não esqueçamos nos próximos anos, não nos limitando a remendar o tecido social ferido pela pandemia. Reconstruamos esse tecido a pensar em 2030, 2040, 2050”, declarou.

Perante o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, e o presidente do Governo Regional da Madeira, o chefe de Estado defendeu que “é necessário agir em conjunto, com organização, transparência, eficácia, responsabilidade, resultados duradouros” e acrescentou: “Que tudo façamos para o conseguir”.

Depois, o Presidente da República referiu-se aos fundos europeus, afirmando: “É necessário ter nestes anos um apelo à convergência para aproveitar recursos, recriar espírito novo de futuro para todos, e não uma chuva de benesses para alguns, que se veja com olhos de interesse colectivo e não com olhos de egoísmos pessoais ou de grupo”.

“Este 10 de Junho interpela-nos a não desperdiçarmos o acicato dos fundos que nos podem ajudar evitando deles fazer, em pequeno e por curtos anos, o que fizemos tantas vezes na nossa História, com o ouro, com as especiarias, com a prata, mais perto de nós com alguns dos dinheiros comunitários, sendo uma terra de passagem para outros destinos ou porto de abrigo para muitos poucos de nós”, reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que no seu discurso pediu também que se aposte mais no mar, deixou a seguinte mensagem antes de elencar estes objectivos, sem nomear ninguém: “Portugueses, não serão as imensidades destes desafios que nos vão desviar do nosso futuro. Que se desenganem os profetas da nossa decadência ou da nossa finitude”.

“Portugueses, ainda mais aposta no mar, ainda mais vontade de não desperdiçar um cêntimo que nos chegue à nossa terra, ainda mais sentido nacional lembrando e apoiando os nossos compatriotas que vivem no nosso território espiritual, na nossa alma, que é muito maior do que o nosso território físico”, resumiu.

Na sua intervenção, de 15 minutos, o Presidente da República considerou que a doença covid-19 “surgiu e tudo ou quase tudo suspendeu, adiou, atropelou, atingiu” e situou este Dia de Portugal “no fim ou quase no fim de uma pandemia tão longa e dolorosa”.

A cerimónia, na Praça da Autonomia e na Avenida do Mar, no Funchal, incluiu uma homenagem aos mortos e uma intervenção da médica Carmo Caldeira, directora do serviço de cirurgia do Hospital Dr. Nélio Mendonça, que o chefe de Estado escolheu para presidir à comissão organizadora destas comemorações, simbolicamente, tendo em conta a actual conjuntura da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2.

*Com Lusa

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