Marcelo confirmou “vontade de dissolução da AR” no jantar com Costa e Ferro

Líder parlamentar do Bloco de Esquerda revelou a manutenção de opinião do Presidente da República no final da conferência de líderes - e deixou uma alfinetada a António Costa. PCP diz que novo OE pode ser possível, se Governo ceder.

O líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, disse aos jornalistas, esta quinta-feira, que o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, revelou que Marcelo Rebelo de Sousa mantém a intenção de convocar eleições antecipadas no seguimento do chumbo do Orçamento do Estado para 2022 pelo Parlamento.

“Foi dado a conhecer à Assembleia da República por parte do Presidente da Assembleia da República que o Presidente da República deu nota no jantar de ontem da vontade de dissolução da Assembleia da República”, declarou o deputado bloquista no final da conferência de líderes, reforçando que a decisão do Chefe de Estado é pessoal e não um imperativo constitucional.

Para o Bloco, esta decisão de Marcelo conta com o apoio de Costa, que no debate de quarta-feira apelou a uma maioria socialista estável caso o país vá mesmo a eleições. “Constitucionalmente não há nenhuma obrigação para que o chumbo de um Orçamento resulte na dissolução da Assembleia da República e convocação de eleições antecipadas, mas essa foi a vontade há muito antecipada pelo Presidente da República e aparentemente muito abraçada pelo primeiro-ministro”, acusou.

Já o líder parlamentar do PCP, João Oliveira defendeu que o partido considera que não há “razão para substituir a discussão sobre o que o país precisa pela precipitação de uma discussão sobre eleições antecipadas”.

Quando questionado sobre a eventual data para a ida às urnas, o deputado comunista responsabilizou o Chefe de Estado: “foi Presidente da República que introduziu esse elemento das eleições antecipadas, terá que ser ele a esclarecer a decisão que antecipou.”

O PCP considera que a possibilidade do Governo apresentar uma nova proposta orçamental não está colocada de parte e é “possível”, mas será sempre preciso que o Executivo de António Costa esteja “disponível para fazer opções”.

Esta quarta-feira, a proposta de Orçamento do Estado para 2022 apresentada pelo Governo de António Costa foi chumbada com os votos contra de PSD, CDS, BE, PCP, Os Verdes, Iniciativa Liberal e Chega. O PAN e as deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues abstiveram-se. O PS foi o único partido a votar a favor do documento.

Após a votação, o primeiro-ministro, António Costa, disse estar preparado para enfrentar qualquer decisão que venha a ser tomada por Marcelo Rebelo de Sousa. Para isso, garante estar disponível para “governar por duodécimos ou avançar para eleições antecipadas”. Depois de ter dito sempre que não se demitia, Costa deixou uma “palavra de confiança aos portugueses”, assegurando que vai continuar a garantir a governação do país.

*Artigo actualizado às 13h23 com as declarações de João Oliveira

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