Marcelo aponta eleições para o início de Fevereiro

Presidente vai ouvir os partidos e os conselheiros de Estado, mas já tem um calendário em mente. Não quer que PSD e CDS vão a votos sem resolverem as questões internas (e as respectivas lideranças) e não pretende que haja campanha durante a quadra natalícia.

Marcelo Rebelo de Sousa não tem qualquer esperança de que o Orçamento do Estado (OE) para 2022 seja salvo e já tem como garantido que terá de convocar legislativas para o início do próximo ano. Embora ainda vá ouvir os partidos com representação parlamentar e reunir o Conselho de Estado (na próxima quarta-feira), o Presidente da República já terá alinhavado o calendário para as eleições: início de Fevereiro.

O chefe de Estado accionará a “bomba atómica” (a dissolução da Assembleia da República), mas, segundo apurou o NOVO, só tenciona marcar o sufrágio para 6 ou 13 de Fevereiro, a menos que algum imponderável determine que os prazos sejam mais curtos.

Ainda que Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos queiram que as legislativas sejam convocadas com a maior celeridade - condicionando a estratégia de Paulo Rangel e de Nuno Melo -, Marcelo considera que o país não terá nada a ganhar se PSD e CDS não resolverem as suas questões internas, directas e congressos, antes das legislativas. A tese é simples: o normal exercício da democracia dos partidos não pode ser adiada sine die.

Aliás, esta terça-feira, o chefe de Estado - que segue atentamente as incidências nos partidos de centro-direita e sente que o ciclo político pode estar a virar - já fez saber, através de uma nota publicada no site da Presidência da República, que recebeu Paulo Rangel em Belém, assim como o recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

De acordo com a nota, as reuniões ocorreram a pedido do eurodeputado e do autarca, algo que terá até irritado Rui Rio, apanhado de surpresa pela acção do Presidente.

Além dos factores de cariz puramente político, Marcelo quer evitar a todo o custo que a campanha eleitoral se sobreponha à quadra natalícia. No fundo, havendo uma crise, o Presidente entende que um prazo ligeiramente mais alargado poderá contibuir para um sufrágio em que a esquerda e a direita tenham as respectivas casas arrumadas e para dar tempo aos líderes (sejam os incumbentes ou os challengers) das diversas forças de irem em força para o terreno.

Recorde-se que o PSD tem as directas para escolhar do líder marcadas para 4 de Dezembro e o Congresso agendado para o fim-de-semana de 14 a 16 de Janeiro. Já o CDS resolve o seu futuro numa reunião magna que terá lugar a 27 e 28 de Novembro.

Entre os críticos de Rodrigues dos Santos teme-se que o conclave seja suspenso, mas, em declarações ao NOVO, o secretário-geral e presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Francisco Tavares, sublinha que tudo está “a decorrer dentro dos trâmites normais para a eleição dos congressistas”. Sobre outros cenários, o dirigente centrista recusou pronunciar-se.

Ler mais
PUB