Luís Montenegro diz que ministro “fez tremer pernas” a António Costa

Líder eleito do PSD divide discurso entre recados para dentro e ataques ao governo na mais recente crise sobre a construção do novo aeroporto. Sucessor de Rio admite dialogar com o primeiro-ministro sobre a obra, mas avisa que o chefe do executivo tem a dignidade ferida. Promete ser “a locomotiva” junto dos eleitores à “velha moda do PPD” e atira às teses rioístas sobre os resultados nas legislativas: “Não são os eleitores que estão errados”.



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O presidente eleito do PSD fez questão, esta sexta-feira, de agradecer os serviços prestados do seu antecessor, Rui Rio, e destacar que a “consideração aumenta” por Jorge Moreira da Silva, seu adversário nas directas, dada a “elevação da campanha interna”.

Na estreia como líder eleito a dois dias de ser o presidente efectivo do PSD, Luís Montenegro anunciou que passará uma semana em cada distrito, a partir de setembro, com a promessa de ser a “locomotiva” do partido junto das populações “à velha moda do PPD”. Ou seja, Montenegro será diferente do seu antecessor ( e em permanente campanha pelo país). E numa revisão do passado recente, o presidente social-democrata eleito lembrou que “não são os eleitores que estão errados”, numa alusão a uma narrativa usada por apoiantes de Rio na noite da derrota eleitoral das legislativas.

A derrota já lá vai, e agora o foco é mostrar que o Governo, que iniciou funções com maioria absoluta, parece já ter os vícios de fim ciclo.

A mais recente crise interna no executivo, com a desautorização ao ministro das Infraestruturas , Pedro Nuno Santos, por causa de um despacho sobre o novo aeroporto de Lisboa, levou Montenegro até a recorrer a uma frase em jeito de soundbyte. O ministro não foi demitido e, assim, colocou “as pernas a tramar a alguém, não a um credor, mas ao primeiro-ministro”. Para o sucessor de Rio ninguém acredita que o polémico despacho (sem conhecimento de António Costa) para apostar na solução do novo aeroporto (construção de raiz em Alcochete, mais o recurso a uma pista no Montijo) tenha sido um erro de comunicação. Ou seja, “a dignidade do primeiro-ministro está ferida de morte. Se isto é permitido, todos podem fazer o que apetecer”, atirou Montenegro contra António Costa, tentando explorar a ideia de perda de autoridade do também líder socialista. Mais, Montenegro disse mesmo que o chefe do Executivo foi “fraco” por não demitir Pedro Nuno Santos.

O novo líder do PSD avisou que o seu partido “não é e não vai ser a muleta do Governo quando é confronto com a sua incompetência”, mas admitiu negociar com o executivo a localização do novo aeroporto de Lisboa, avisando que transmitirá as condições desse diálogo ao próprio primeiro-ministro.

A avaliação da polémica estava feita, mas antes, Montenegro recordou os três ciclos de governação do PS para concluir que, nos últimos 27 anos, o PS governou 20. “No final da legislatura será cada vez mais difícil recordar a grande década de desenvolvimento social e económico do país, com Cavaco Silva”, concluiu o novo líder do PSD, apontando o legado do ex-presidente da República e antigo primeiro-ministro como exemplo para motivar o partido. À governação de Passos Coelho coube uma referência, a de um governo patriótico.

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