Loures. Ofensiva rosa ao reduto vermelho

Recuperar o poder aqui perdido em 2013 é uma das maiores metas dos socialistas nas autárquicas. Bernardino Soares, recandidato da CDU, tem missão difícil em Loures, onde há quatro anos o PS foi a força mais votada para a Assembleia Municipal.



Grande duelo em perspectiva entre comunistas e socialistas: nada de novo em Loures, concelho onde as duas forças se têm alternado ao nível do poder local. Há quatro anos, para a câmara, empataram em número de vereadores, com ligeiro avanço da CDU em percentagem. Mas o PS obteve maioria para a Assembleia Municipal (AM). Agora, o resultado é ainda mais imprevisível.

Recuperar Loures - onde já foi poder autárquico, primeiro entre 1976 e 1979, depois de 2001 a 2013 - será um dos maiores troféus do partido da rosa no dia 26. Este é o objectivo declarado do candidato socialista, Ricardo Leão, actual presidente da AM.

Antigo vereador camarário - deteve os pelouros das finanças, educação, cultura, juventude e desporto na mais recente gestão socialista - este licenciado em Gestão, 46 anos, é categórico: a sua prioridade é “travar a estagnação” no concelho. A seu ver, Loures necessita de pólos tecnológicos e uma bolsa de habitação pública destinada à classe média. Além do incremento da rede de transportes e uma nova ligação da Segunda Circular a Sacavém, segunda cidade do concelho.

Ricardo Leão integra igualmente a bancada parlamentar do PS na Assembleia da República - tal como Susana Amador, a candidata socialista à presidência da AM, que foi presidente da Câmara de Odivelas (2005-2015) e secretária de Estado da Educação. O que comprova a forte aposta que o PS aqui faz.

A CDU responde com um dos seus principais trunfos no plano autárquico. Bernardino Soares, eleito em 2013 após 18 anos como deputado em São Bento, onde liderou a bancada parlamentar comunista, candidata-se ao terceiro mandato consecutivo. Este é um concelho muito assimétrico, dividido entre uma área urbana a sul (com as freguesias de Frielas, Loures e Santo António dos Cavaleiros) e uma área marcadamente rural a norte (com as freguesias de Lousa, Fanhões, Bucelas, Santo Antão do Tojal e São Julião do Tojal), além de uma extensa zona industrial a oriente.

Aos 49 anos, Bernardino ambiciona um novo quadriénio de poder autárquico com a intenção declarada de concretizar projectos emblemáticos do seu programa eleitoral. Incluindo a reabilitação urbanística da zona oriental, a edificação de um passeio ribeirinho e a inauguração de um estádio municipal.

O PSD que desta vez vai a votos é diferente daquele que há quatro anos se apresentou perante os eleitores. Em 2017 tinha como cabeça-de-lista o actual presidente do Chega, André Ventura, o que causou enorme controvérsia nas hostes sociais-democratas e a ruptura da coligação com o CDS. Agora o partido laranja vai sozinho às urnas. Apresenta Nelson Batista, 50 anos, licenciado em Gestão e já com experiência autárquica: preside desde 2009 à junta de freguesia de Lousa.

“Um concelho mais moderno, mais atractivo, mais global e multicultural, com qualidade de vida e onde ninguém fique para trás” são metas deste candidato. Que recusa ver Loures como um concelho-dormitório de Lisboa. “Deve servir para viver e não apenas para residir.”

O Bloco de Esquerda repete o seu candidato de 2017. É Fabian Figueiredo, dirigente nacional bloquista que também já passou pela Assembleia da República. Licenciado em Sociologia, 32 anos, o coordenador concelhio do BE assume a ambição de ser eleito vereador. Na campanha, quer aparecer como principal opositor do Chega. Em nome de “um concelho mais justo e solidário, preparado para a transição climática, com maior mobilidade e mais activo no combate a todas as formas de exclusão e de discriminação”.

O CDS vai novamente às urnas separado do PSD. Tendo como cabeça-de-lista o advogado Jorge Santos, de 55 anos. Prioridades? “Apoiar e fomentar o investimento no concelho para a criação de emprego. E pressionar fortemente o poder central na concretização da vinda do metro, que não tem passado de promessas do PS e da CDU.”

O PAN apresenta a jurista Soraya Ossman, 31 anos. Criar uma Provedoria do Animal e vias pedonais “para que os munícipes possam circular sem riscos para a integridade física, como acontece por todo o concelho” são aspectos prioritários para esta candidata, líder concelhia do partido.

O estreante Chega candidata Bruno Nunes, 44 anos. Já com experiência como deputado municipal, onde esteve em representação do PPM, este consultor e administrador de empresas não hesita no diagnóstico: “Loures parou no tempo. Estamos às portas de Lisboa sem uma política de habitação jovem, continuamos sem metropolitano, continuamos com zonas rurais sem água potável.”

Artigo publicado originalmente na edição impressa do NOVO de 3 de Setembro de 2021.

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