João Paulo Batalha fala em “troca de avenças” na escolha de Sérgio Figueiredo por Medina

Ministro das Finanças fez ajuste directo para escolher consultor. Vice-presidente da Associação Frente Cívica arrasa decisão. E não está sozinho.



O vice-presidente da Associação Frente Cívica João Paulo Batalha não poupa nas palavras para criticar a decisão do ministro das Finanças, Fernando Medina, em chamar Sérgio Figueiredo, antigo director de informação da TVI, para seu consultor.

“Do ponto de vista ético não oferece dúvida nenhuma de que é uma péssima manobra”, começou por afirmar ao NOVO o também ex-presidente da Associação Integridade e Transparência.

Medina fez um ajuste directo com prazo de dois anos com Sérgio Figueiredo como consultor com o objectivo de fazer uma “auscultação dos stakeholders relevantes na economia portuguesa”, revelou o Público. Para João Paulo Batalha este é um caso de “troca de avenças”. E recorda que o ministro das Finanças, então autarca de Lisboa, era comentador pago na TVI no tempo em que Sérgio Figueiredo era director de informação da estação. “Agora é Fernando Medina que retribuiu a simpatia”, atirou o também consultor em políticas contra a corrupção.

Assim, é preciso ver o contrato, insiste João Paulo Batalha, defendendo que o ministro das Finanças deveria ter-se socorrido do mecanismo “natural” de contratar Sérgio Figueiredo como assessor.

Mais, João Paulo Batalha lembra que este episódio não pode ser dissociado do facto do ministro das Finanças ser encarado como putativo candidato à sucessão de Costa. Na rede social Facebook, Batalha acrescenta ainda que “Fernando Medina quer herdar de António Costa o Governo, como já herdou a Câmara. Começar a construir a sua rede de clientelas e simpatias faz parte da tarefa. Mais um episódio da série ‘Succession’, mas pago pelo contribuinte”.

Também Susana Coroado, actual líder da associação Integridade e Transparência, escreveu no Twitter: “Fomos de António Borges, consultor do governo PSD-CDS para as privatizações, passando por Diogo Lacerda Machado no governo PS e chegámos aos para-ministros Pedro Adão e Silva (como comissário do 25/04) e Sérgio Figueiredo. Todas as regalias, nenhuma responsabilidade democrática”.

Por sua vez, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, foi duro no ataque ao falar “da ausência de qualquer pingo de ética por parte do ministro Fernando Medina: vai pagar agora uma avença a Sérgio Figueiredo, o mesmo que lhe pagou uma avença durante anos quando fazia comentário na TVI”, citado pelo site esquerda.net.

Entretanto, também o PSD e a Iniciativa Liberal reagiram ao caso.

Duarte Pacheco, deputado do PSD, insiste que é mais um exemplo de promiscuidade, mas “ não é de estranhar porque o Governo de António Costa só se preocupou, desde o início, com o problema da comunicação”, conforme afirmou, citado pela TSF. Porém, fica “mal” a Sérgio Figueiredo aceitar o convite.

Já Rodrigo Saraiva, líder da bancada da Iniciativa Liberal, considera que “é o comentador contratado a contratar o contratador”. E concluiu: “O PS, que tem por hábito confundir-se com o Estado, pode achar que é um ciclo virtuoso, mas aquilo a que assistimos é um ciclo vicioso. Quem acredita e defende o Estado de direito e as democracias liberais, acredita na imprensa como quarto poder e livre de cumplicidades e promiscuidades. E a proximidade patente nesta contratação leva a questionar se a proximidade entre Sérgio Figueiredo e o PS já existia quando exercia funções jornalísticas, em particular de direcção”.

(Notícia actualizada às 17h28)

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