Históricos do PS de saída do Parlamento

Jorge Lacão e Luís Capoulas Santos anunciaram aos deputados socialistas que já não estão disponíveis para integrar as listas do partido nas próximas eleições legislativas.



Esta manhã, na reunião semanal da bancada parlamentar, dois dos mais antigos parlamentares do PS anunciaram a decisão de abandonar o cargo.

Ao NOVO, Jorge Lacão, explicou que a decisão nada teve a ver com a actual situação política, e que já antes tinha sido comunicada à direcção do PS: “Na altura da recomposição dos órgãos directivos do PS eu já tinha informado que não continuaria na comissão política nacional, por uma opção pessoal”.

O socialista sentou-se pela primeira vez naquela bancada parlamentar em 1983, e mais tarde chegou a liderar o grupo. Nos Governos de José Sócrates foi ainda secretário de estado da presidência do conselho de ministros e ministro dos assuntos parlamentares.

“Era o tempo de cessar a minha actividade político-partidária. Com a dissolução não faria sentido apresentar uma recandidatura”, afirmou em declarações ao NOVO.

A saída do ex-ministro da agricultura de António Costa foi também confirmada pelo próprio, que a justificou apenas com o “fim do mandato”.

Capoulas Santos foi eleito pelas listas do PS pela primeira vez há 30 anos. Já em 1995 assumiu o cargo de secretário de estado da agricultura e desenvolvimento rural. Três anos depois seria empossado como ministro da mesma pasta, regressando ao cargo já no primeiro mandato de António Costa como primeiro-ministro.

A decisão dos dois históricos socialistas é conhecida um dia depois do chumbo do Orçamento do Estado que colocou o país no rumo de eleições antecipadas.

O tom dos líderes partidários rapidamente passou a ser o de pré-campanha, com António Costa a pedir uma maioria reforçada. Nas próximas semanas começam assim a desenhar-se as novas listas com que concorre ao Parlamento.

Jorge Lacão assume que sai da bancada socialista preocupado: “Como toda a gente. Não me demito das minhas preocupações de cidadania e das minhas preocupações políticas”.

Sobre a possibilidade de haver uma nova geringonça depois das eleições, Lacão recusou especular, mas assinou por baixo as palavras do primeiro-ministro no debate orçamental: “Que o PS se prepare para conseguir uma maioria reforçada porque essa é uma condição de estabilidade e governabilidade do país”.

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