Histórica do PSD mantém-se no combate eleitoral aos 77 anos

Virgínia Estorninho, antiga autarca do PSD, é a quarta na lista à Junta de Freguesia do Beato, em Lisboa. A histórica militante social-democrata justifica a decisão: “Houve uma coisa que prometi quando mataram Sá Carneiro: nunca abandonar o partido que ele criou e lutar sempre pelo partido dele”.



Tem 77 anos e uma vida dedicada ao PSD. Quem a conhece sabe que prepara as suas intervenções com tempo para os conselhos nacionais e para os congressos do partido. À partida já se sabe que faz questão de intervir sempre nas reuniões internas dos sociais-democratas. Agora, decidiu aceitar o desafio de integrar a lista da coligação Novos Tempos, de Carlos Moedas, para a Junta de Freguesia do Beato, nas autárquicas de 26 de Setembro.

“Quero ajudar o PSD”. É assim que começa uma conversa telefónica com o NOVO. Virgínia Estorninho chegou a ser a única mulher presidente de Junta eleita pelo PSD em 1989. A escolha na altura foi o Alto do Pina (hoje Freguesia do Areeiro), numa área da cidade de Lisboa com muitas barracas.

A militante do PSD recorda que foi “empurrada” para as listas e não percebia nada de autarquias. Mais, as juntas não tinham propriamente dinheiro. E o que fez? “Lá diz o ditado quem meu filho beija meu coração adopta: criei as danças ciganas, as danças africanas, as danças indianas, e marchinha dos pacatos, a escolinha de fado. Hoje até há uma fadista que saiu dessas escolas: Filipa Cardoso”, recorda.

A Junta de Freguesia do Areeiro é do PSD e no Beato lidera o PS. Por isso, Virgínia Estorninho decidiu aceitar o convite para integrar as listas: “Oh filha, não tenho medo de trabalhar”, afiança ao NOVO a militante do PSD. No Beato, a aposta da coligação do social-democrata Carlos Moedas, vai para Lisa Pereira.

“Muitos dos meus miúdos [do Alto do Pina] daquela altura hoje são adultos e vivem naquela zona [do Beato]”, explica Virgínia Estorninho para aduzir argumentos à escolha da sua candidatura.

A militante do PSD espera que o seu partido tenha um bom resultado nas autárquicas: “Eu penso que sim. Não sei, não quero fazer críticas”, desabafa. E acrescenta que “Fernando Medina [PS] tem feito tanta asneira em Lisboa que nem merece ganhar”. Mas a sua candidatura autárquica na Junta do Beato prende-se também com uma promessa que fez há muitos anos sobre o fundador dos sociais-democratas: “Houve uma coisa que prometi quando mataram Sá Carneiro: nunca abandonar o partido que ele criou e lutar sempre pelo partido dele”.

A candidata é actualmente membro da Assembleia Municipal de Lisboa e assegura ao NOVO que “enquanto tiver forças” é para continuar nas lides políticas e partidárias.

Ler mais
PUB