ERC recomenda que a SIC compense ausência do Chega em programa de humor

Em causa, a ausência do partido nos programas transmitidos durante a campanha eleitoral para as legislativas de 2022. “A escolha de determinados entrevistados, com a exclusão de outros, deve ser objecto de especial ponderação”, avisa a ERC.



A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recomendou à SIC que compense o partido Chega pela ausência no programa “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” para que possa assegurar “o pluralismo político-partidário nas suas emissões”.

De acordo com uma deliberação de 26 de Outubro deste ano e em resposta à análise de duas participações sobre o programa de humor apresentado por Ricardo Araújo Pereira, por exclusão de partidos das entrevistas realizadas durante o período eleitoral, a ERC recomendou à SIC “a necessidade de compensar, se necessário, na restante programação, os desequilíbrios gerados num determinado programa em matéria de igualdade de oportunidade e de tratamento das diversas candidaturas”.

Recorda a ERC que durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2022, este programa entrevistou todos os líderes com representação parlamentar nas eleições anteriores “com excepção do Partido Chega”.

Apesar de o regulador considerar que este é um programa de humor e, portanto, com “maior margem de discricionariedade na forma como é abordado o período eleitoral”, a ERC não é insensível ao facto de que “a escolha de determinados entrevistados, com a exclusão de outros, deve ser objecto de especial ponderação”.

Nesta deliberação da ERC, o regulador cita a posição da SIC sobre o tema: “O programa em apreço é conduzido pelo humorista Ricardo Araújo Pereira, que o apresenta e, com a sua equipa, procede à selecção de conteúdos com total independência em relação à SIC. O critério de escolha dos convidados é também, por isso, do humorista, o qual tem total liberdade de conformação em relação a quem deseja (e a quem não deseja) receber no seu programa. Neste particular, o humorista recebeu todos os candidatos de partidos com representação parlamentar (com excepção do candidato em causa nas queixas), assim como individualidades com ligações publicamente conhecidas a cada um dos partidos políticos.”

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