Eduardo Cabrita apresenta demissão para evitar “aproveitamento político” que prejudique Governo, Costa e PS

Despacho de acusação acusou o motorista do MAI que conduzia o carro envolvido num atropelamento mortal, na A6, a 18 de Junho deste ano, de homicídio negligente. Primeiro, o ministro disse ser “só um passageiro” mas, horas depois, abandonou o cargo.



O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, apresentou a demissão, esta sexta-feira, horas depois de ser público que o Ministério Público acusou o seu motorista, que conduzia o carro envolvido num atropelamento mortal na A6, a 18 de Junho deste ano, de homicídio negligente.

“Não posso permitir que esse aproveitamento político seja utilizado no actual quadro para penalizar a acção do Governo, contra o primeiro-ministro ou mesmo o PS. Por isso, solicitei a exoneração das minhas funções” a António Costa, anunciou em conferência de imprensa.

Numa declaração sem direito a perguntas, Eduardo Cabrita disse só ter permanecido no cargo nos últimos meses por respeito ao líder do Executivo, afirmando ter ficado estupefacto com algumas reacções.

“No dia 18 de Junho, a viatura que me transportava foi vítima de um acidente que, tragicamente, determinou a perda de uma vida. Mais do que ninguém lamento essa trágica perda irreparável, a única situação verdadeiramente irreparável. A minha solidariedade para com a família da vítima”, declarou. “Desde então, foi com grande sacrifício pessoal que verifiquei com estupefacção o aproveitamento político de uma tragédia pessoal”, afirmou, acrescentando que não seria “legítimo fazer qualquer comentário.”

“Agradeço profundamente ao primeiro-ministro, António Costa, a oportunidade de partilhar estes seis anos de dedicação intensa à causa pública e, sobretudo, estes quatro anos, que me tornaram desde há alguns dias o ministro da Administração Interna com o mais longo mandato em democracia”, disse ainda o ministro, que recordou o seu trabalho na pasta que liderou nos últimos anos, lembrando um “ministério particularmente difícil, exigente e sujeito diariamente à incerteza e imprevisto”.

Poucos minutos depois de ter sido revelado o despacho de acusação, na manhã desta sexta-feira, o MAI defendeu que a acusação da dedução correspondia ao “Estado de direito a funcionar”. O governante apelou também a que não fosse feito “qualquer repugnante aproveitamento político” do processo.

Definindo-se como “só um passageiro” no acidente que vitimou Nuno Santos, declarou ainda que “as condições de um atravessamento de via não sinalizada têm de ser esclarecidas no quadro do acidente”. Horas mais tarde, tudo mudou.

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