Disputa na IL: com Orçamento arrumado, candidatos à liderança metem pé no acelerador

Rui Rocha e Carla Castro percorrem o país para dar a conhecer aos militantes liberais as suas ideias para o futuro do partido. As equipas dos dois candidatos serão conhecidas em breve.



Concluído no Parlamento o capítulo orçamental, os candidatos à liderança da Iniciativa Liberal (IL) voltam a concentrar-se em absoluto na campanha interna, cujo desfecho vai ser conhecido na convenção electiva, agendada para 21 e 22 de Janeiro.

A menos de dois meses da escolha do novo líder, Carla Castro e Rui Rocha apostam na proximidade com os membros do partido e vão em Janeiro defrontar-se em debates na SIC e noutros órgãos de comunicação social.

Com “energia e foco redobrados”, a candidata mostra-se confiante e motivada para o que aí vem. Admitindo ao NOVO que começou esta disputa em desvantagem, Carla Castro releva aquilo que considera ser um dos trunfos da candidatura: “Compensamos em energia e em saber.”

Esse saber resulta da experiência na Assembleia da República, mas também do trabalho desempenhado no gabinete de estudos do partido. O percurso trilhado (e que conduziu o partido ao sucesso) leva-a a rejeitar a ideia de que a sua candidatura representa uma ruptura com a linha seguida até agora.

“A continuidade é verdadeiramente assegurada comigo”, afirma, frisando que há “sustentação”, “coerência” e um “trabalho parlamentar de elevada qualidade”, características pelas quais garante ser reconhecida. Admite, porém, um afastamento daquilo que “não corre bem internamente” – “e, aí, até é melhor [essa mudança] ser com outras pessoas” – e garante que as suas ideias estão a ter “grande adesão”.

“Mantemos a cultura e os valores da IL. Há temas como a descentralização, o robustecimento interno, a participação dos membros e a importância dos núcleos em que somos mais capazes”, afirma, defendendo representar a melhor opção para a nova fase de “crescimento sustentado” do partido, quer a nível interno, quer no país.

Quase a apresentar a equipa, Carla Castro aposta em duas vertentes: por um lado, marcando presença nas redes sociais e nos média; e, por outro, através de uma “forte política de proximidade”. A candidata já esteve em cerca de dez núcleos e continuará as visitas às estruturas locais já na próxima semana.

Estratégia semelhante está a ser seguida pelo colega de bancada e adversário na corrida à liderança: “Até ao final da campanha quero percorrer todos os núcleos da IL [79] e contactar com todos os membros.” O objectivo é não só “explicar a razão da candidatura” como “apresentar a equipa, as medidas para o país e também as propostas internas”, diz Rui Rocha.

O candidato alinhado com a actual direcção e que conta com o apoio do ainda presidente do partido, João Cotrim Figueiredo, e de boa parte da bancada parlamentar, centra a sua campanha na abordagem das medidas que vê como “essenciais para quem quer subir na vida”, designadamente os profissionais liberais e trabalhadores independentes, “que têm sido muito maltratados em Portugal pela burocracia, pelos custos e pela fiscalidade”.

A mobilidade e a “necessidade premente de ter uma ligação ferroviária entre as capitais de distrito” são outros dos temas que Rui Rocha tem privilegiado no contacto com os militantes, de quem tem ouvido também “as sugestões e transformações a fazer internamente” – entre estas, a revisão estatutária que pretende levar a cabo, “sempre com o objectivo de dar voz aos membros do partido”.

Para já, os dois deputados são os únicos candidatos à sucessão de João Cotrim Figueiredo que, a 23 de Outubro, revelou que não se recandidataria à presidência do partido – um anúncio que apanhou de surpresa quase todos, excepto Rui Rocha.

Na mesma tarde, o parlamentar entrou na corrida e, no dia seguinte, recebeu a manifestação de apoio do actual líder e também dos colegas de bancada Bernardo Blanco, Patrícia Gilvaz e Joana Cordeiro. Já Carla Castro tem vindo a somar apoios nas bases, mas também de personalidades como Ricardo Arroja, cabeça-de-lista às europeias de 2019, Paulo Carmona, membro da comissão executiva, e Miguel Ferreira da Silva, primeiro líder da IL.

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