Debate “morno”, “tabu desfeito" e geringonça “mais verde” no horizonte. Políticos comentam frente-a-frente nas redes sociais

Secretário-geral do PS e líder do PSD tiveram 75 minutos para esgrimir argumentos e esclarecer o eleitorado sobre as propostas que defendem, procurando realçar o que os distingue.



Nas reacções ao duelo entre António Costa e Rui Rio, André Ventura chegou-se à frente para adjectivar o frente-a-frente de “morno”, “pouco intenso” e “sem qualquer vontade de ruptura” – um comentário feito na rede social Twitter, ainda o debate não tinha terminado. “Não é certamente neste PS ou neste PSD que os portugueses encontrarão a mudança que procuram!”, acrescentou.

Para Teresa Morais, antiga secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e crítica de Rui Rio, “Costa desfez o tabu, lembrando que houve um partido que não contribuiu para a crise: o PAN”. “Está, portanto, em preparação a nova geringonça. Mais verde!”, conclui.

Sem surpresas, Salvador Malheiro destacou nas redes sociais que “depois do debate de hoje, creio que não pode haver dúvidas” de que Rio é o “primeiro-ministro de que Portugal precisa”. Outras figuras próximas do líder social-democrata replicaram o mesmo comentário. Foi o caso de Sofia Matos, cabeça-de-lista do partido no Porto, que realçou uma ideia que o líder social-democrata foi repetindo ao longo do debate: “Porque o futuro dos portugueses não é só o amanhã.”

Margarida Balseiro Lopes não tem dúvidas: “António Costa perdeu de forma inequívoca o debate.” A ex-líder da JSD, que está de saída do Parlamento, ironizou ainda sobre o facto de António Costa ter colocado a capa do Orçamento do Estado para 2022 “à frente da cara, como último plano”: “O OE que chumbou e levou a eleições antecipadas...”

Já o ex-líder da Iniciativa Liberal e cabeça-de-lista pelo Porto nas eleições do próximo dia 30 realçou aquela que foi a terceira figura do debate da noite desta quinta-feira: Pedro Nuno Santos.

“Ainda me lembro de, em Novembro, ter chocado algumas pessoas num comentário televisivo em que dizia que, com os resultados errados, Pedro Nuno Santos poderia ser o próximo primeiro-ministro depois das eleições. Rio acabou de admitir o mesmo cenário”, escreveu Carlos Guimarães Pinto no Twitter.

O candidato a deputado referia-se ao momento inicial do debate, sobre a governabilidade do país após as eleições, em que Rui Rio alertou para a possibilidade de o Bloco de Esquerda entrar num executivo socialista.

No frente-a-frente televisivo desta noite, transmitido em simultâneo por RTP, SIC e TVI, o líder social-democrata levantou a hipótese de o PS agora vencer com uma maioria relativa, Costa abdicar de liderar o próximo executivo e passar o testemunho a um sucessor socialista: Pedro Nuno Santos. “Quem tem mais hipóteses de suceder a António Costa é Pedro Nuno Santos, alguém que é bastante à esquerda. É minha obrigação colocar este raciocínio em cima da mesa”, disse, atirando ainda: “E aí temos o Bloco de Esquerda mesmo dentro do governo, com ministros do BE.”

Perante um resultado de maioria relativa, António Costa afirmou que irá conversar com os partidos na Assembleia da República e admitiu um “modelo clássico” como o primeiro governo de Guterres, “diploma a diploma”, que, referiu, “foi difícil, levava mais tempo, mas foi possível”.

Frisando não ser possível uma reedição da geringonça nas actuais circunstâncias, o secretário-geral do PS sugeriu que o PS e o PAN poderão somar mais de metade dos deputados. “Não há tabus sobre o que acontecerá a 30 de Janeiro”, disse.

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