Costa “surpreendido” com revelação de Pedro Nuno Santos

O primeiro-ministro confessou ter ficado “surpreendido” por o seu ex-ministro Pedro Nuno Santos ter tido conhecimento da indemnização paga pela TAP a Alexandra Reis. Adiantou ainda que o relatório da Inspecção-Geral de Finanças sobre o caso deverá ser conhecido em Fevereiro.



O primeiro-ministro confessou, esta terça-feira, ter ficado surpreendido com a revelação de Pedro Nuno Santos, que admitiu, afinal, ter tido conhecimento e ter dado anuência à indemnização que Alexandra Reis recebeu da TAP. António Costa revelou ainda que o relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) sobre o caso deverá ser conhecido em Fevereiro.

“Sim, fiquei surpreendido – aliás, como o próprio. Creio que ele se surpreendeu por ter constatado que, afinal, tinha sabido e tinha dado autorização”, disse António Costa, em declarações aos jornalistas ao final desta manhã.

O chefe do Governo insistiu ainda que o Ministério das Finanças não tinha conhecimento sobre o caso, vincando que “não vale a pena haver qualquer tipo de insistência”. “O Ministério das Infra-Estruturas já disse que não comunicou ao Ministério das Finanças, a TAP já disse que presumia que o Ministério das Infra-Estruturas comunicaria e João Leão já veio publicamente dizer que desconhecia”, disse, acrescentando que “já toda a gente sabe que não houve informação ao Ministério das Finanças.”

Já sobre o relatório que o Ministério das Finanças pediu à IGF, António Costa adiantou que deverá ser conhecido no próximo mês. “O Ministério das Finanças determinou à IGF que realizasse uma inspecção, essa inspecção está em curso, vamos aguardar a conclusão. [A IGF] está a fazer o seu trabalho e creio que no princípio de Fevereiro terá o relatório terminado, e aí ficaremos a saber qual é a avaliação que faz.”

Pedro Nuno Santos, recorde-se, admitiu na passada sexta-feira que, afinal, sabia do valor da indemnização de 500 mil euros paga a Alexandra Reis, e deu “anuência política para fechar o processo”.

O antigo governante, que se demitiu a 28 de Dezembro para assumir as consequências políticas do caso da ex-secretária de Estado do Tesouro, disse que, desde então, tem tentado “reconstruir a fita do tempo, mais concretamente no que respeita a comunicações não institucionais”.

Se à data da demissão, após analisada toda a comunicação institucional, incluindo emails, entre a TAP e o Ministério das Infra-Estruturas, “não foram identificadas quaisquer comunicações dirigidas ao ministro, nem qualquer documento de resposta do Ministério, contendo algum tipo de autorização”, agora, Pedro Nuno Santos encontrou uma comunicação de que não tinha memória: “Neste processo de reconstituição, foi encontrada (19 de Janeiro de 2023), por mim, uma comunicação anterior da minha então Chefe do Gabinete e do Secretário de Estado, de que nenhum dos três tinha memória, a informarem-me do valor final do acordo a que as partes tinham chegado.”

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