Costa anuncia recandidatura durante debate do Orçamento

António Costa aproveitou o debate do Orçamento para garantir que será recandidato se houver eleições antecipadas. Socialistas apelaram à esquerda para viabilizar Orçamento porque “há muito caminho para fazer”. PCP e Bloco de Esquerda não mostraram abertura para continuar a negociar. CDS, liberais e Chega garantem que a geringonça “acabou”.



“A geringonça já morreu. Paz à sua alma.” A frase do deputado único da Iniciativa Liberal João Cotrim Figueiredo resume o espírito do primeiro dia de debate sobre o Orçamento do Estado para 2022. Aos apelos de António Costa para “continuar”, Bloco de Esquerda e PCP responderam com críticas à “intransigência” do Governo e não deram sinais de reverter o chumbo à proposta do Governo.

O primeiro-ministro e a líder parlamentar do PS apelaram aos parceiros de esquerda para viabilizarem o Orçamento do Estado de forma que “o trabalho seja continuado na especialidade”. Ana Catarina Mendes defendeu que “há muito caminho para fazer” e que os portugueses “não compreendem que esse caminho não possa ser feito à esquerda”.

António Costa aproveitou para esclarecer que, se houver eleições antecipadas, será recandidato. O primeiro-ministro garantiu que assume “todas as responsabilidades” e voltará a candidatar-se. “Se houver eleições, não saberá quem será o seu líder, eu sei que serei o líder do meu partido”, disse, numa resposta à deputada do PSD Clara Marques Mendes.

PCP e Bloco de Esquerda não abriram a porta a uma mudança de posição. Catarina Martins acusou o Governo de “intransigência” nas negociações e responsabilizou o primeiro-ministro pela não existência de um acordo entre os partidos de esquerda. “Se amanhã não tiver Orçamento do Estado é porque não quer”, afirmou.

Jerónimo de Sousa também sugeriu que a responsabilidade de uma crise política é do PS. “Só não há respostas porque o PS não quer”, afirmou o secretário-geral dos comunistas. “Foi a recusa do Governo em considerar a resposta global aos problemas do país que conduziu ao ponto em que estamos. O exemplo do salário mínimo nacional confirma que não foi por falta de persistência ou abertura do PCP para que fossem encontradas soluções”, acrescentou.

Jerónimo de Sousa anunciou na quarta-feira a intenção de os comunistas votarem contra o Orçamento e não mudou de ideias. “Convenhamos, senhor primeiro-ministro, que não é com as opções que o Governo faz que havemos de conseguir tirar o país da difícil situação em que se encontra.”

À direita, Rui Rio começou por garantir que “a geringonça não tem pernas para andar” e culpou António Costa pela crise política que o país está a atravessar. “Isto acontece porque decidiu acantonar-se à esquerda.” O presidente do PSD aproveitou para traçar as diferenças entre António Costa e Mário Soares, porque o fundador do PS “percebeu que não podia ficar nas mãos do PCP”. Soares fez coligações com o CDS e com o PSD, mas nunca governou com o apoio dos comunistas.

André Ventura foi mais longe e garantiu que esta maioria parlamentar chegou ao fim. “Senhor primeiro-ministro, este governo acabou”, disse.

António Costa aproveitou a intervenção do deputado único do Chega para voltar a confrontar a esquerda com as consequências de chumbar o Orçamento. “A sua alegria demonstra como será um erro enorme inviabilizar este Orçamento.”

António Costa assumiu, em resposta ao deputado liberal Cotrim Figueiredo, que se a geringonça acabar “é uma enorme frustração pessoal”. A votação do Orçamento está marcada para esta quarta-feira e é quase certo que haverá eleições antecipadas se Bloco de Esquerda e PCP cumprirem a intenção de votar contra.

Ler mais
PUB