Como Rio baralhou tudo e Rangel ganha lastro no PSD

Em poucas hora tudo mudou. O líder do PSD esticou a corda, pediu adiamento dos calendários internos do partido por causa de uma possível crise política, deixou os seus apoiantes surpresos, perdeu com estrondo e já há quem olhe para Moreira da Silva como a alternativa ao eurodeputado.



O final da tarde da última quinta-feira deixou os apoiantes de Rui Rio sem saber muito bem o que fazer. A proposta de adiamento da marcação das eleições directas, por causa de uma possível crise política, não foi concertada com a sua equipa. Obrigou a ajustamentos e chamadas, mas ficou claro que o Conselho Nacional poderia chumbar a ideia. O que os rioístas não esperavam era uma margem tão grande na hora de chumbar a proposta do líder. Que ganhou forma de requerimento.

Não há memória recente de uma derrota desta dimensão (71-40) de um líder do PSD no órgão máximo entre congresso, o Conselho Nacional, e foi visível que os ventos mudaram no maior partido da oposição em poucas horas. O dia seguinte foi de rescaldo e para ouvir Paulo Rangel a assumir boa parte do que já tinha dito aos conselheiros: o partido não pode ter uma estratégia a contar, apenas, com o desgaste de António Costa, a chamada oposição “de espera”, como criticou Rangel.

O eurodeputado apresentou (quase) as linhas mestras de um programa eleitoral, na defesa da mobilidade social, na necessidade de devolver a esperança, e de colocar o PSD na rota das vitórias eleitorais nas próximas legislativas. Até a demora em anunciar o voto contra o Orçamento do Estado reforçou a análise crítica de Rangel sobre a estratégia de Rio.

No partido, Rangel vai somando apoios em Braga, no Porto, Lisboa, Leiria e até na Guarda. Com Rio só estarão a 100 por cento Bragança e Beja ( distritais com menor expressão de votos), sendo que noutros pontos do país, o equilíbrio de forças pode vir também favorecer o eurodeputado nas próximas semanas.

Entre rioístas há a convicção de que o líder do partido não pode esperar muito tempo para esclarecer o que fará ( sendo que Rio tem sido exímio na gestão de tempos. Até agora).

Se Rui Rio não avançar, Jorge Moreira da Silva, o ex-ministro do Ambiente, será o plano B de alguns apoiantes de Rui Rio e há quem admita ao NOVO que Salvador Malheiro, o king maker de Rio de há quatro anos, poderá ajudá-lo dada a longa amizade.

A gestão de tabus deverá ser desfeita nos próximos dias.

Ler mais
PUB