Com OE2022 sob ameaça de chumbo, primeiro-ministro promete humildade ao longo das negociações

António Costa salientou que a proposta apresentada resulta de escolhas do Governo, admitindo que “há alternativas”.



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O primeiro-ministro prometeu esta quinta-feira, na reunião do grupo parlamentar do PS, ter “humildade” ao longo das negociações do Orçamento do Estado para 2022, que corre o risco de chumbar depois de PCP e Bloco de Esquerda terem manifestado que votam contra a proposta tal como está.

O líder do Executivo começou por lembrar, numa crítica aos partidos que votaram contra o OE no ano passado, que Portugal vai chegar ao fim de 2022 “tendo não só recuperado tudo o que o país perdeu em 2020 e 2021, mas já estando acima de onde estava em 2019”. A mensagem aos opositores não ficou por aí, tendo Costa sublinhado que nada do que estes previram aconteceu. “Hoje saímos desta crise de uma forma que nenhum deles imaginou que fosse possível”, enalteceu.

Assumindo-se preparado para ouvir a crítica de que o objectivo orçamental do Governo é “irrealista” e que há “enormes nuvens no horizonte”, sobretudo com o aumento do salário mínimo nacional a comprometer a recuperação da economia, o também secretário-geral do PS defendeu-se com o historial.

“Também já ouvimos esses desde 2016. Mas a verdade é que nós temos um historial hoje em dia que também responde por aquilo que é a credibilidade das nossas previsões. Nem sempre acertámos à décima, mas as nossas contas ficaram sempre mais próximas da realidade do que as previsões de todos os outros”, referiu, respondendo de forma indirecta aos partidos à direita dos socialistas.

Aos que diziam que votavam contra porque o OE2021 não respondia às necessidades do país e o desemprego ia aumentar, António Costa deixou também uma mensagem: “A verdade é que hoje já estamos com uma taxa de desemprego abaixo daquela que tínhamos antes da crise, já estamos a crescer acima do que estávamos a crescer e o nível de encerramento das empresas não teve nenhuma correspondência com aquilo que estava previsto.”

Parlamento terá de fazer escolhas

Voltando ao OE2022, o primeiro-ministro salientou que a proposta apresentada resulta de escolhas do Governo, admitindo que “há alternativas”. “Esta proposta são as escolhas que nós fizemos, mas sabemos que quem tem a autoridade máxima em matéria orçamental é a Assembleia da República, que pode ter outras decisões”, afirmou, acrescentando que o Parlamento pode, por exemplo, concentrar a capacidade que existe para aumentar só algumas carreiras da administração pública, em vez de fazer um aumento geral.

Defendendo que é “legítimo fazer essas escolhas”, o chefe do Executivo deixou a garantia que da parte do Governo haverá humildade, como houve ao longo dos seis Orçamentos anteriores.

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