Coligação do PS em Lisboa não perde apenas Medina. Lobo e Ucha também deixam Câmara

Novo número um da coligação será João Paulo Saraiva, que foi “vice” de Medina nos últimos quatro anos pelo Cidadãos por Lisboa. Derrota na capital provoca alteração grande na lista inicial.



O antigo presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina anunciou que não ficaria como vereador sem pelouro na autarquia, mas não será o único a abandonar a lista da coligação “Mais Lisboa”, que juntou PS, Livre e o movimento Cidadãos por Lisboa na ida às urnas para as autárquicas de 26 de Setembro. A surpreendente vitória de Carlos Moedas deu a vitória ao PSD e originou uma dança de cadeiras na lista inicial encabeçada pelo ex-presidente da autarquia da capital.

Segundo o jornal Expresso, a número dois da lista, Inês Lobo, acompanha Medina, fazendo com que João Paulo Saraiva, ex-elemento do CpL que foi vice-presidente do socialista nos últimos quatro anos, se torne o líder do PS na autarquia. A arquitecta voltará ao ateliê de arquitectura que fundou em 2002 e a que dá nome.

A terceira saída é a de Inês Ucha, que substituiu Manuel Salgado em Fevereiro deste ano. Era a escolha de Medina para o Pelouro das Obras e Habitação, decisão que a obrigaria a abandonar a presidência da Sociedade de Reabilitação Urbana. O semanário revela que, apesar de não se manter na vereação, não é certo que mantenha o cargo na empresa municipal responsável pela maioria das obras camarárias na cidade.

A saída de Medina será colmatada com a entrada de Inês Drummond, oitava da lista da coligação (o PS elegeu sete vereadores nas eleições do passado mês de Setembro). A ex-presidente da Junta de Freguesia de Benfica foi, nos últimos meses, assessora de Medina.

Para os lugares de Inês Lobo e Inês Ucha, avança o Expresso, vão entrar Pedro Anastácio, presidente da Distrital da JS Lisboa e número 11 da coligação, e Cátia Rosas - a número 12 integrou gabinetes de secretarias de Estado do Ambiente e da Educação nos mandatos de António Costa.

A vereação do PS fica completa com os nomes de Rui Tavares (fundador do Livre), Paula Marques, do movimento CpL, e Miguel Gaspar (vereador do último executivo da Mobilidade, Segurança, Economia, Inovação e Protecção Civil).

Foi na terça-feira que Fernando Medina tornou pública a intenção de não permanecer na câmara da capital. Numa carta avançada pelo Expresso, Fernando Medina justificou a decisão como uma forma de facilitar a vida ao executivo e à oposição.

“O quadro político que saiu das eleições é distinto do que vivemos nesse período. Julgo que é esta a solução que melhor serve os interesses da cidade, o funcionamento das reuniões do executivo da autarquia e a capacidade de a oposição camarária se concentrar no futuro, e não no passado”, escreveu na missiva endereçada à Assembleia Municipal.

Explicando ser uma “decisão individual”, o socialista disse querer evitar a “pessoalização” do debate e a concentração das discussões na autarquia à volta da sua pessoa. “Ao contrário do Governo, onde só fazem parte do Executivo membros nomeados pelo primeiro-ministro, a oposição nas autarquias integra o executivo. A minha saída da câmara municipal facilita a vida aos futuros órgãos da autarquia, reduzindo o nível de pessoalização do debate e concentrando a discussão política na procura de soluções para os desafios do futuro”, referiu na carta.

Fernando Medina assegurou ainda que ficará atento à cidade: “Não preciso de exercer qualquer cargo para continuar atento ao desenvolvimento de Lisboa.”

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