Carla Castro sobre a disputa interna que perdeu: “Gosto deste desassossego construtivo”

Candidata derrotada diz que o resultado que alcançou nas eleições internas provou “que a decisão de avançar fez todo o sentido”. Rui Rocha foi eleito presidente da Iniciativa Liberal no passado domingo, com 51,7% dos votos, e prometeu acabar com o bipartidarismo em Portugal.



Carla Castro, deputada da Iniciativa Liberal (IL) que se candidatou à liderança do partido e que saiu derrotada no passado domingo, afirma que entrou na disputa eleitoral “convicta”, notando que o resultado que obteve (44%), “ainda para mais nas circunstâncias que foram”, são a prova de que a decisão de avançar com uma candidatura alternativa à de Rui Rocha “fez todo o sentido”.

Numa reflexão partilhada nas redes sociais, na ressaca da VII Convenção Nacional da IL, que decorreu no último fim-de-semana, no Centro de Congressos de Lisboa, Carla Castro, a candidata que queria romper com a linha seguida pelo partido, sublinha que foi com “enorme orgulho” que defendeu a sua moção, deixando um agradecimento a todos os que estiveram ao seu lado: “Deixo o meu agradecimento e a reafirmação de que cá estamos para muitas batalhas que se adivinham.”

“Feliz” com as escolhas que fez, reconhece que o conclave ficou marcado por algumas imagens “caricatas” e, “certamente para muitos, alguns enjoos de arroz”, numa alusão ao discurso do candidato José Cardoso, que comparou as candidaturas dos deputados a arroz do mesmo (tendo até afirmado que a campanha entre os dois deputados teve sangue, o que lhe fez lembrar arroz de cabidela). Mas o que Carla Castro guarda da reunião magna são os “momentos únicos de alguns discursos, a visão e autenticidade de muitos” e o debate sobre “muitos temas importantes para o partido que já não voltam atrás”. E termina dizendo: “Gosto deste desassossego construtivo, e que é muito melhor quando é salutarmente partilhado. Quando culmina nesta expressão em votos, ainda melhor é.”

Rui Rocha, o candidato apoiado por João Cotrim Figueiredo e praticamente toda a bancada parlamentar, foi eleito líder da IL com 51,7% dos votos. Carla Castro, que representava a ruptura, conquistou 44% dos votos, e o candidato da terceira via obteve 4,3%. No discurso de vitória, o novo líder dos liberais reafirmou a meta dos 15% nas próximas legislativas e o objectivo de acabar com o bipartidarismo em Portugal, deixando também uma mensagem de união no partido, que se mostrou mais dividido do que inicialmente se pensaria: “Conto com todos os liberais que queiram participar no futuro da IL”, disse Rocha.

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