As sombras de Ventura que poderão chegar ao Parlamento

Diogo Pacheco de Amorim, Tiago Sousa Dias, Nuno Afonso ou Marta Trindade são alguns dos nomes de confiança do líder do Chega que devem constar das listas de candidatos a deputados. Ventura quer ainda integrar alguns independentes e até já sondou algumas pessoas.



Afirmar-se como a terceira força política nacional é o sonho há muito acalentado por André Ventura, que traçou como objectivo alcançar 15% nas legislativas de 30 de Janeiro. O líder do Chega não abre o jogo sobre os principais nomes das listas de deputados, mas é quase certo que vai convidar os seus homens de confiança. Embora seja praticamente o único a dar a cara pelo partido, há, pelo menos, sete figuras que o ajudam a pôr a máquina a funcionar. O NOVO falou com os dirigentes que poucos conhecem e todos estão disponíveis para integrar as listas. A escolha cabe ao líder, que saiu do congresso de Viseu, no último fim-de-semana, com mais poderes, incluindo o de escolher todos os candidatos ao Parlamento. Fonte do Chega revela que estes são nomes possíveis, mas é preciso também ter em conta o peso das distritais. Ventura quer ainda integrar alguns independentes e até já sondou algumas pessoas.

Diogo Pacheco de Amorim
O ideólogo que se define como conservador liberal

Considerado o ideólogo do Chega, estreou-se como deputado ao substituir, temporariamente, André Ventura durante a campanha das eleições autárquicas. Terá a estreia de Pacheco de Amorim pelo hemiciclo continuidade? A decisão está, naturalmente, nas mãos do presidente do partido, mas o vogal do Chega não fecha a porta a um eventual regresso. “[O presidente] Sabe da minha disponibilidade para tudo o que seja necessário ao partido, dentro ou fora do Parlamento”, revelou ao NOVO. Neto de um monárquico íntimo de Salazar, Pacheco de Amorim foi fundador da Nova Democracia de Manuel Monteiro - já extinto - e fez parte do gabinete político da rede armada de extrema-direita liderada pelo general António de Spínola e do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP). Está na génese do Chega - é o militante n.º 10 - e define-se como um “conservador liberal” que sempre “colaborou com partidos que partilhem desta postura”.

Tiago Sousa Dias
O secretário-geral disponível para tudo

“Um advogado sem vergonha de dizer que sou de direita”. Assim se define Tiago Sousa Dias, secretário-geral do Chega. Integrou o partido de Ventura em Maio de 2020 e assumiu funções pouco depois, em Setembro, no Congresso de Évora. Mas o militante do Chega não era estreante na política, uma vez que já tinha encabeçado a lista do Aliança de Santana Lopes nas legislativas pelo círculo fora da Europa. Ao NOVO, Tiago Sousa Dias mostra-se disponível para representar o partido no Parlamento: “Desde que entrei no Chega, manifestei ao presidente que estou disponível para tudo o que ele entendesse”. A escolha das listas eleitorais é uma “decisão do presidente e confio nele para liderar os destinos do partido”, acrescenta. Para o secretário-geral, o IV Congresso, que se realizou em Viseu, deu o mote para “a frente de batalha que são as eleições legislativas. Arrumámos a casa, estamos legais e estamos prontos para o desafio. Este foi um congresso de transparência e de consolidação interna”.

António Tânger Corrêa
O ex-diplomata que admira Sá Carneiro

Traz, na ‘bagagem’, uma carreira diplomática de mais de quatro décadas. Foi o primeiro secretário da embaixada portuguesa em Pequim, entre 1981 e 1984, e embaixador em Doha, Cairo, Lituânia, Belgrado, Sarajevo e Telavive. Falamos de António Tânger Corrêa, o vice-presidente do Chega que chegou, ainda, a ser cônsul-geral em Goa e no Rio de Janeiro e adjunto de Diogo Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros de Sá Carneiro. As ligações de Tânger Corrêa não se ficam apenas pela diplomacia. No seu ADN há também ligação ao desporto. Em 1992, participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona e, em 2018, concorreu às eleições do Sporting pela lista de Pedro Madeira Rodrigues. Em 2020, na Convenção do Chega em Évora, voltou à vida política ao ser eleito para a direcção nacional e para vice-presidente. No Congresso de Viseu, defendeu que Ventura “tem os mesmos valores” que Sá Carneiro e que são herdeiros dessa luz e da Aliança Democrática.

Gabriel Mithá Ribeiro
O historiador que critica “a vigarice antirracista”

Ex-militante social-democrata, Gabriel Mithá Ribeiro ingressou no Chega em 2020 e, nas autárquicas deste ano, foi candidato à presidência da câmara municipal de Alcochete ( 5,24% dos votos). Filho de pai católico e mãe islâmica, o vice-presidente do Chega tem raízes na antiga Lourenço Marques, onde nasceu em 1965. Rumou a Portugal em 1980, fez formação em História, mestrado e doutoramento em Estudos Africanos e é investigador no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. O dirigente do Chega é autor de diversos livros, entre os quais ‘Um Século de Escombros - Pensar o futuro com os valores morais da direita’ - onde se propôs fazer “uma radiografia moral da esquerda”. Assinou, ainda, artigos em espaços de opinião no Observador, onde chegou a assumir-se contra a “vigarice antirracista” e a defender que “todas as pessoas de esquerda são sociocidas”.

Marta Trindade
Uma das mulheres que manda no Chega

Arquitecta, Marta Trindade foi a aposta do Chega na corrida às autárquicas pelo Barreiro, a sua cidade natal. Nunca almejou uma carreira política, mas viu em Ventura “a esperança de mudança”, revela ao NOVO. Pró-vida, defensora dos valores da família, orgulha-se de o Chega ser um “dos partidos que fala de Deus sem complexos”. Vê em Ventura um “líder com carisma” e não reconhece em mais ninguém “capacidades para liderar” o partido. Tornou-se militante e não tardou até que passasse a ser uma das mulheres na liderança. Integrou a Direcção Nacional no congresso de Coimbra, em Maio, e no de Viseu ficou claro que continua a ser uma das apostas do líder.
É apontada como um dos rostos femininos que poderá integrar o futuro grupo parlamentar do Chega e sobre o tema diz apenas que confia nas escolhas de Ventura. “Cabe-lhe decidir quem são os melhores, mais leais, e eu não irei questionar, mesmo que não faça parte desse grupo.”

Pedro Frazão
O nacionalista que subiu no partido

Nacionalista, veterinário e pai de uma família numerosa, Pedro Frazão é vice-presidente da direcção nacional do Chega e vereador em Santarém. Membro da Opus Dei, define-se como “um homem temente a Deus, conservador nos costumes e no ambiente e que deseja o melhor para o país”. É um dos homens fortes ao lado de Ventura e, se for escolhido para representar o Chega no hemiciclo, aceitará o repto. Ao NOVO, Frazão recorda que chegou ao partido a convite do presidente, por “acreditar naquilo que Ventura quer trazer ao país”. E foi por isso que aceitou integrar a direcção e candidatar-se à câmara de Santarém, onde teve “uma eleição histórica” (6,56%). Nas autárquicas, recorda, “dei o passo em frente e estive disponível para esse desafio. E estarei sempre disponível para os desafios que o presidente e a comissão acharem por bem”. Recentemente, esteve envolvido numa polémica após uma publicação no Twitter contra Joacine . A deputada não inscrita falou em “ataque misógino” e ameaçou com uma queixa judicial.

Nuno Afonso
O coordenador autárquico

Antigo social-democrata, Nuno Afonso foi conselheiro nacional do PSD e candidato autárquico em Loures, em 2017, na equipa liderada por André Ventura. É um dos fundadores do Chega e assumiu funções enquanto vice-presidente quando o partido nasceu. Porém, no III Congresso, em Coimbra, foi despromovido - à semelhança de outros dois vice-presidentes - e passou a ser vogal da Direcção Nacional. Confessou, nessa altura, sentir-se “magoado” com a decisão do líder, de quem é amigo há quase 20 anos. Manteve-se, também, como chefe de gabinete de André Ventura e na Assembleia da República, sem nunca descartar ser candidato a deputado. Coordenador autárquico do Chega, nas últimas eleições concorreu à câmara de Sintra e alcançou 9% dos votos, tendo sido eleito vereador. Ex-militantes do Chega acusaram-no de forjar assinaturas na recolha para a legalização do partido, mas o processo de falsificação foi arquivado pelo Ministério Público, que considerou que as suspeitas “não foram corroboradas por prova sustentável”.

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