Apoiantes de Rodrigues dos Santos pedem adiamento do congresso

Em carta enviada ao líder centrista, altos dirigentes do CDS dizem que “clima de guerrilha e de agressividade interna” desde que o congresso do partido foi convocado desvia o partido do essencial e é um “tremendo frete ao PS”, que já entrou em campanha eleitoral.



Um grupo de altos dirigentes do CDS escreveu uma carta ao presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, a apelar ao adiamento do congresso e, consequentemente, das eleições internas, considerando que os centristas devem concentrar-se nas eleições legislativas antecipadas, que tudo aponta serão marcadas pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência do chumbo do Orçamento do Estado para 2022. Na carta, a que o NOVO teve acesso, os subscritores, apoiantes do líder popular, dizem que o partido vive um clima de guerrilha desde que foi anunciado o processo eleitoral interno e que tal postura acaba por ser um “frete” ao PS, que já se encontra em campanha eleitoral.

“O agravamento, por mais um mês, do clima de guerrilha e de agressividade interna a que vimos assistindo desde que o Congresso foi convocado não só não dignifica o partido como nos desvia do essencial e não esclarece os eleitores. Pior: não passa de um tremendo frete ao Partido Socialista – o nosso verdadeiro adversário –, que entrou já hoje em campanha eleitoral”, lê-se no documento assinado, entre outros, pelos presidentes do CDS/Açores, Aveiro, Porto e Viseu e também por alguns delegados distritais.

Para os subscritores da missiva, “é hora de o Partido colocar Portugal em primeiro lugar”, não podendo “desperdiçar esta oportunidade de dar aos portugueses um sinal de responsabilidade e de maturidade”. A definição de uma estratégia e de um programa eleitoral, a par de uma equipa para apresentar aos eleitores, explicam, “deve ocorrer em clima de conciliação e de união. Com eleições legislativas num prazo máximo de 60 dias, este não é o tempo adequado para o debate interno”. E acrescentam: “Depois daquelas, teremos tempo de esgrimir as diferenças e as divergências que nos separam. Até lá, a legitimidade dos órgãos do partido é indiscutível.”

“A realização de um Congresso em vésperas de eleições alhearia o partido da importante tarefa que o nosso eleitorado espera de nós. É por isto que lhe pedimos que solicite, com urgência, a realização de um Conselho Nacional extraordinário que desconvoque o Congresso e mobilize o partido para a sua missão essencial: ganhar o país”, pode ler-se no último ponto da carta.

Esta quinta-feira, a Comissão Política Nacional do CDS vai reunir-se para discutir a situação política do país. Recorde-se que o líder dos centristas já tinha admitido que o Congresso do partido, marcado para 27 e 28 de Novembro, poderia ser adiado caso o OE2022 não fosse aprovado.

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