António Costa garante que Governo quer discutir subsídio de risco e valorizar “primeiras posições de entrada”

Dirigentes dos sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR confessaram terem saído desiludidos da reunião com o Governo sobre a atribuição do subsídio de risco, acusando o MAI de estar a “iludir os polícias”.



O primeiro-ministro, António Costa, garantiu, esta quarta-feira, que na próxima reunião entre o Governo e o as associações sindicais dos profissionais das forças de segurança, por causa do subsídio de risco, também vai ser discutida “a valorização das primeiras posições de entrada”.

António Costa respondia a uma das sete perguntas colocadas pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, durante a sua intervenção no debate sobre o estado da nação.

O dirigente comunista questionou “que resposta vai o Governo dar ao subsídio de risco dos profissionais das forças de segurança e às carreiras”.

Na resposta, Costa disse que “ainda hoje houve uma reunião, em que o Governo apresentou uma proposta, está marcada uma nova reunião”, que vai decorrer na próxima quarta-feira.

Esta reunião vai englobar “não só o debate sobre o tema do subsídio de risco, mas também a valorização das primeiras posições de entrada, o que é muito relevante para uma questão central que colocou que tem que ver com a valorização geral dos salários”.

Os dirigentes dos sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR saíram hoje desiludidos da reunião com o Governo sobre a atribuição do subsídio de risco, acusando o Ministério da Administração Interna (MAI) de estar a “iludir os polícias”.

“Andam a tentar iludir os polícias fazendo uma interpretação errada do suplemento das forças de segurança. Ficamos surpresos e perplexos por o Governo não ter apresentado qualquer proposta”, disse aos jornalistas o presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), Mário Andrade, no final da reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís.

O presidente do SPP, que falou em nome da plataforma constituída por 13 sindicatos e associação socioprofissionais da Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana, explicou que o MAI não avançou na reunião de hoje com um novo valor para o subsídio de risco, tendo marcado um novo encontro para a próxima quarta-feira.

Enquanto as estruturas que representam os elementos da PSP e da GNR estiveram reunidas com o secretário de Estado, centenas de polícias estiveram concentrados em frente ao MAI vestidos de preto para protestar contra a proposta apresenta inicialmente pelo Governo e exigir um subsídio de risco “digno e justo”.

Juntos numa plataforma, 10 sindicatos da PSP e três associações socioprofissionais da GNR exigem um subsídio de risco no valor de 430,39 euros.

Já a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), que não pertencem a esta plataforma, mas que têm marcado presença nos protestos, defendem o pagamento faseado do subsídio de risco até 2024. Em Janeiro de 2022 seria pago 200 euros, em 2023 aumentava para 300 euros, fixando-se em 2024 nos 430 euros.

O subsídio de risco é uma das principais e mais antiga reivindicação dos polícias e a atribuição deste suplemento está prevista no Orçamento do Estado deste ano, numa decisão dos partidos da oposição e não do Governo.

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