Almada. Uma noite a ferver com a vitória de Inês de Medeiros

De Abril a Setembro, o embate entre Inês de Medeiros e Maria das Dores Meira foi duro e cheio de incertezas sobre quem levaria a vitória para casa nas autárquicas de 2021. Esta madrugada, a candidata do PS subiu ao palco vitoriosa, congratulou os opositores e disse: “Venceu a democracia.”



A noite ferveu em Almada com a segunda vitória autárquica de Inês de Medeiros, que diz não levar “qualquer amargo de boca dos últimos quatro anos”. Confiante, socialista diz ao NOVO que “tem-se feito muito em Almada, seja no centro da cidade ou nos bairros e freguesias mais distantes”.

Passava da meia-noite quando a autarca entrou na sede de campanha, onde estavam cerca de 200 pessoas, envolvida pelos gritos efusivos da Juventude Socialista e de militantes veteranos para erguer uma maioria absoluta de 39,87% – o melhor resultado do PS em Almada desde 1976 e que permite agora colocar cinco vereadores no executivo.

Um resultado histórico que, pelas 21h00, já o deputado Ivan Gonçalves, líder da Comissão Concelhia de Almada do PS, havia apontado, entre os suspiros contidos de quem, na sede de campanha, receava os resultados de um embate com Maria das Dores Meira, a representar a candidatura da CDU àquele concelho e que governou Setúbal durante 12 anos. A veterana comunista foi a grande derrotada da noite eleitoral na terra que já foi um dos grandes bastiões do PCP na Margem Vermelha, com um resultado de 29,69%.

Inês ganhou, congratulou os seus opositores pela campanha, agradeceu à sua equipa e anunciou: “Venceu novamente a democracia.” Mas o seu caminho não será fácil em mais estes quatro anos. Se está preparada para governar 12 anos? Diz-nos que “vamos ver calmamente, mandato a mandato, mas se os almadenses quiserem, cá estarei”.

E os almadenses querem e apreciam o que tem sido feito depois do que dizem ter sido “anos e anos de paragem no tempo às mãos da CDU”. Francisco António, hoje com 73 anos, foi um dos que lutaram “durante 40 anos para mudar Almada”. Da CDU ficou-lhe a sensação de que o seu concelho está “pelo menos 20 anos atrasado no desenvolvimento”.

“Ainda falta muita cidade, falta Almada”

Em 2017, o veterano foi um do que disseram “chega, não dá mais, é preciso mudar”. Em quatro anos viu obra. “Rotundas, recuperação de vias, apoios para as pessoas arranjarem as casas quando não têm capacidade financeira, com isenção de impostos nos materiais e de licenças”, descreve, de lágrimas nos olhos.

Mas a almadense Maria João Santos, apesar de ter apoiado Inês de Medeiros em 2017, agora diz que “ainda falta muita cidade, falta Almada”. Não quer “que a apontem como elitista, mas esperava mais trabalho no centro da cidade”.

Admite, contudo, que se fez “muito nas freguesias da periferia, e em quatro anos não podia fazer tudo o que não se fez em 40”. No entanto, “há ainda muitos calcanhares de Aquiles. Por exemplo, durante a maior crise da pandemia, quem é do centro da cidade teve de ir fazer testes ao Laranjeiro e outros pontos”. E na cultura, terreno de Inês de Medeiros, diz que “é preciso muito mais”.

A troca de ideias entre estes dois apoiantes do PS em Almada chegou a aquecer, mas a energia de mais uma vitória e a perspectiva de que o concelho “continue rosa pelo menos durante 12 anos” sobrepôs-se às discordâncias políticas.

O brinde final da noite foram os gritos da Juventude Socialista na Praça Gil Vicente, onde Inês reuniu todos e subiu ao palco para encerrar a noite com um “muito obrigado. No próximo fim-de-semana comemoramos em grande, agora precisamos de descansar”. Os jovens prometeram: “Daqui a quatro anos somos nós que vamos estar nas juntas”, numa despedida de quem não acaba aqui a jornada por Almada.

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