“Acorrentadas” pelo Governo protestam por direitos da Função Pública

Psicólogas viram o seu direito à mobilidade negadas pelo Governo. Agora manifestaram no Dia Nacional de Luta pela Frente Comum



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A meio da pandemia, Dinora Falcão viu-se obrigada a separar-se da família. Ao ser colocada pelo Ministério da Educação numa escola do Alentejo, a psicóloga de Lisboa teve de passar a deslocar-se para 300 km longe dos filhos e dar a guarda parental ao pai. “Trabalho no Alentejo e peço mobilidade porque o meu marido e filho moram aqui. E o diretor do meu agrupamento disse que me permitia a mobilidade desde que eu fosse substituída. Como o ministério não quer substituir-me... então não dá. Não quer abrir uma vaga de substituição”, conta ao NOVO.

Sem ser sindicalizada, Falcão acorrentou-se a quatro outras mulheres em protesto no Dia Nacional de Luta convocado pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, o primeiro protesto no setor desde o início da pandemia da covid-19. A mobilidade foi a que a motivou, mas outras várias centenas de pessoas reivindicaram aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, a valorização das carreiras, a revisão da Tabela Remuneratória Única, e a revogação do Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP).

“O grande responsável por estarmos aqui hoje e por termos agendado este Dia Nacional de Luta foi o Governo”, afirmou à Lusa o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana.

“O Governo não pode continuar a dizer que negoceia sem o fazer, não pode continuar a dizer à comunicação social que tem propostas e não as apresenta na devida sede”, acrescentou o responsável sindical.

O Dia Nacional de Luta foi marcado por greves em diversos setores, “com uma grande adesão por parte dos trabalhadores”, segundo a Frente Comum, que promoveu também a concentração em Lisboa, para responsabilizar “o Governo e não apenas um ministro ou outro pela ausência de resposta” àqueles trabalhadores.

“Este dia nacional de luta foi um sinal claro para o Governo de que os trabalhadores da Administração Pública estão dispostos a lutar. Se o Governo não alterar as suas políticas, não se sentar à mesa com os sindicatos e não iniciar um processo de negociação sério, o caminho que nós vamos prosseguir é que o dia de hoje se vai multiplicar por muitos outros dias e vai-se intensificar”, garantiu Sebastião Santana.

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