Violência doméstica. “Tudo são situações-limite. Pode estar sempre uma vida em risco”

Juízes atribuem cada vez mais botões de pânico, o pequeno aparelho que as vítimas accionam quando se vêem cara a cara como agressor. O alarme toca na sede da Cruz Vermelha, onde os operadores tentam ajudá-las, localizam-nas e chamam a polícia.



Quando o sinal de alarme aparece no ecrã, Catarina Barradas não sabe o que virá do outro lado da linha. Mas está preparada para o pior. Naquela sexta-feira, mal atendeu, começou a ouvir os gritos da vítima. A muitos quilómetros de distância, uma mulher na casa dos 35/40 anos, tentava resistir a que o ex-companheiro entrasse no carro e a espancasse... ou fizesse algo pior. O desfecho desta - e de outras histórias de violência doméstica - são contadas numa reportagem publicada na edição em papel de 16 de Julho do NOVO, onde contamos histórias de mulheres que foram ajudadas - e salvas - pelo simples facto de primirem um botão SOS.

Até 30 de Junho deste ano, havia 3884 botões de pânico atribuídos pelos tribunais a vítimas de violência doméstica - de género, de pais contra filhos e de filhos contra pais. O ano ainda vai a meio e os números já podem ser interpretados como um aumento desta medida, se tivermos em conta que em 2020 foram 4165, o que também já representava um crescimento em relação a 2019 (3170). A pandemia pode também explicar o fenómeno. “Diria que tem a ver com o desconfinamento. O aumento brutal que se assistiu só veio reforçar a sua importância enquanto medida de protecção”, explica Carlos Teixeira, que dirige o serviço que resulta de um protocolo entre a Cruz Vermelha Portuguesa e a Comissão para a Igualdade de Género (CIG)

“Esta medida tem salvado vidas. Tem havido a preocupação com a integridade física das vítimas, mas também com o seu acompanhamento. As vítimas passam por um período soturno, precisam de apoio. Por isso, além de salvar vidas, está subjacente o princípio de que se sintam acompanhadas e seguras para reconstruir a sua vida”, acrescenta Carlos Teixeira.

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