Tribunal de Contas: escolas não estavam preparadas para ensino à distância

De acordo com o relatório, divulgado esta quinta-feira, o ensino à distância foi a medida que mais impactou sobre a aprendizagem. Quatro em cada cinco alunos não tinha sequer computador.



O Tribunal de Contas reconhece que a medida foi a mais adequada, dado o contexto pandémico, e elogia a forma rápida como as escolas adoptaram, e se adaptaram, ao ensino à distância (E@D). No entanto, diz o relatório, “não estavam reunidas todas as condições para a eficácia do E@D , havendo alunos com carências em competências digitais e dificuldades no acesso à internet”. Além disso, sublinham ainda os autores da auditoria, os meios digitais dos próprios estabelecimentos de ensino estavam obsoletos.

A implementação desta resposta à pandemia terá beneficiado da solidariedade da sociedade em geral, através de autarquias, associações e entidades privadas.

Todavia, isso não impediu que a aprendizagem tenha sofrido fortes impactos, sobretudo, lê-se no documento, junto de “alunos em contextos familiares mais frágeis, grupos mais marginalizados, menos capacitados para o trabalho autónomo, com necessidades especiais e em situação de risco”.

Para o futuro, o Plano de Recuperação e Resiliência prevê um investimento de 559 milhões de euros na Escola Digital, indo ao encontro do que é também uma das recomendações do tribunal ao ministério da Educação: “concretizar o programa de investimentos para a digitalização das escolas”.

Além disso, os autores do relatório aconselham ainda a tutela a elaborar uma estratégia de substituição dos meios digitais obsoletos e a aperfeiçoar a gestão destes meios, por forma a evitar a duplicação de apoios. A falta de eficácia na distribuição, alertam, tem aumentado “o risco de desperdício de dinheiros públicos”.

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