Sogra de traficante continua a pagar prestação de carro usado por Cabrita durante acidente na A6

Prestação mensal de cerca de 500 euros pelo crédito da viatura de marca BMW é paga por empresa de Guimarães. Acidente matou trabalhador de 43 anos, a 18 de Junho.



A sogra do traficante dono do carro usado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, durante o acidente que matou um trabalhador na A6, a 18 de Junho, continua a pagar uma prestação mensal de cerca de 500 euros pelo crédito da viatura de marca BMW, avança o Correio da Manhã.

O advogado da sociedade, Pedro Miguel Carvalho, sublinha que a cliente, de uma empresa de Guimarães, não vai desistir que lhe seja restituída a viatura e que lhe seja feito o pagamento da indemnização.

O traficante, que foi condenado por tráfico de drogas a oito anos de prisão num processo já transitado em julgado, deu entrada em tribunal com uma acção de embargo do arresto do BMW.

No âmbito de um processo de perda ampliada de bens na sequência de actividades criminosas, a viatura acabou por ser apreendida.

O automóvel encontra-se “na situação jurídica de apreendido” e tem uma guia para poder circular válida até Maio de 2023. “O veículo encontra-se na situação jurídica de apreendido e não foi declarado perdido a favor do Estado. Assim, para poder circular na via pública, a Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) emitiu uma guia para que o veículo possa circular válida até 13 de Maio de 2023”, disse à Lusa uma fonte do Ministério da Administração Interna (MAI).

“Não há sequer uma travagem no local”
O acidente na auto-estrada que liga Marateca à fronteira do Caia, em Elvas (distrito de Portalegre), ocorreu “por volta das 13h00” do dia 18 de Junho, ao quilómetro 77, na zona do concelho de Évora, no sentido Évora - Lisboa, segundo divulgou na altura a GNR.

A vítima mortal, um trabalhador de uma empresa que realizava trabalhos de manutenção da via, ainda “foi assistido”, mas “acabou por falecer no local”, assinalou à Lusa, nesse dia, o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora.

O Ministério Público (MP) abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do trabalhador, “como sempre acontece neste tipo de situações”, ou seja, em acidentes rodoviários com mortos, segundo fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu igualmente um inquérito interno sobre as circunstâncias em que foi prestado o socorro no acidente.

O advogado da família do trabalhador que morreu trabalhador disse, em declarações à Lusa, que a zona tem grande visibilidade, mas “não há sequer uma travagem no local”. “Não se percebe porque é que o [condutor do] carro não viu o obstáculo [o trabalhador] à sua frente com tanta visibilidade e tanto tempo para poder reagir”, avançou José Joaquim Barros, argumentando que “não há sequer uma travagem no local”.

Segundo o advogado, o local onde ocorreu o acidente “não é exactamente uma recta”, tem “uma curva muito ligeira à esquerda”, mas é uma zona que “tem uma visibilidade muito grande, seguramente superior a um quilómetro”. Além disso, sublinhou, as obras de manutenção em curso no local quando ocorreu o acidente “estavam devidamente sinalizadas e o trabalhador ia também devidamente equipado, com calças e colete reflectores”.

Sobre eventuais imagens de videovigilância do local do acidente, José Joaquim Barros manifestou-se esperançado que existam: “Não sei ainda, admito que sim e quase me atreveria a afirmar que sim, porque o acidente ocorreu a dois quilómetros da saída Norte para Évora”.

Para o advogado, essas eventuais imagens de videovigilância “podem vir a ser um elemento muito importante, caso as coisas não se resolvam consensualmente”, como disse esperar que venham a resolver-se.

José Joaquim Barros notou que “ainda é cedo” para se constituir como assistente no inquérito aberto pelo Ministério Público (MP), mas disse querer “consultar o processo logo que seja possível”.

Fonte da Brisa assegurou à Lusa que no dia e local do acidente “a sinalização dos trabalhos de limpeza realizados na berma direita da A6 estava a ser cumprida pela ArquiJardim”, a empresa responsável pela execução dessa intervenção.

Estes esclarecimentos por parte da empresa concessionária da auto-estrada diferem das explicações dadas pelo Ministério da Administração Interna (MAI), em comunicado no dia seguinte ao acidente em que referia não existir sinalização no local.

Questionado pela Lusa sobre estes esclarecimentos do MAI, José Joaquim Barros acusou o MAI de “pôr em xeque muitas pessoas, não só o trabalhador, mas, sobretudo, a Brisa e a empresa contratada, a ArquiJardim”.

“É possível deduzir desse comunicado um alijar de responsabilidades que não é correcto, mas isso já está esclarecido. As obras estavam devidamente sinalizadas”, frisou.

Segundo o ministério tutelado por Eduardo Cabrita, o veículo “não sofreu qualquer despiste” e “circulava na faixa de rodagem, de onde nunca saiu, quando o trabalhador a atravessa”.

“O trabalhador atravessou a faixa de rodagem, próxima do separador central, apesar de os trabalhos de limpeza em curso estarem a decorrer na berma da auto-estrada”, referia o mesmo comunicado.

Com Lusa

Ler mais
PUB